Antes de chegar às telas, Coração Partido conquistou leitores. O filme é baseado no best-seller da escritora russa Anna Jane e leva para o cinema a história que ganhou popularidade entre o público jovem. A adaptação mantém a essência do romance original, mas apresenta a trama em uma linguagem pensada para funcionar também para quem chega à história sem ter passado pelo livro.
Dirigido por Mikhail Vaynberg, o longa acompanha Polina, interpretada por Veronika Zhuravleva, que chega a uma nova cidade e precisa lidar com uma escola onde rapidamente se torna alvo de bullying. É nesse cenário que ela conhece Bars, vivido por Daniel Vegas, um dos alunos mais temidos do colégio.
A relação entre os dois começa de uma maneira pouco convencional. Bars oferece proteção a Polina, mas impõe suas próprias condições. O acordo acaba levando os dois a fingirem um relacionamento e, como seria de esperar, aquilo que deveria ser apenas uma encenação começa a ganhar outras proporções.
O que funciona no filme é justamente a maneira como essa relação vai mudando. Polina e Bars não passam imediatamente de desconhecidos a um casal apaixonado. Existe uma construção no meio disso, ainda que o roteiro, em alguns momentos, acelere demais determinadas situações.
Veronika consegue transmitir bem a insegurança de Polina sem transformar a personagem em alguém completamente passiva diante do que acontece com ela. Vegas, por sua vez, trabalha Bars dentro daquele perfil de personagem que o público de romances adolescentes conhece bem: fechado, difícil de decifrar e com uma personalidade que vai sendo apresentada aos poucos.
E é aí que o filme encontra seu melhor equilíbrio.
Coração Partido não tenta esconder que é um romance adolescente. Pelo contrário. Ele assume a proposta e trabalha com os conflitos, os relacionamentos e as inseguranças desse universo. Ao mesmo tempo, algumas escolhas deixam claro que o filme poderia ter ido um pouco além.
Há conflitos que são apresentados de maneira rápida e personagens que poderiam ganhar mais espaço dentro da narrativa. Algumas reviravoltas funcionam para movimentar a história, mas nem todas têm o mesmo peso. Em determinados momentos, parece que o roteiro está mais preocupado em manter o público interessado no próximo acontecimento do que em desenvolver completamente aquilo que acabou de apresentar.
Isso não chega a comprometer a experiência, mas impede que o filme seja mais marcante.
Outro ponto que chama atenção é a duração. Com mais de duas horas de filme, Coração Partido tem tempo suficiente para desenvolver melhor algumas relações, mas também acaba prolongando situações que poderiam ser resolvidas com mais objetividade.
Ainda assim, existe uma qualidade importante na produção: ela não tenta parecer mais sofisticada do que é.
É um romance para quem gosta de acompanhar personagens jovens envolvidos em relações complicadas, com conflitos familiares, problemas na escola e aquela boa dose de drama que faz parte do gênero. E, nesse sentido, o filme entrega o que promete.
Talvez eu só esperasse que ele confiasse um pouco mais nos próprios personagens e um pouco menos nas reviravoltas, porque Polina e Bars têm material suficiente para sustentar a história sem que o roteiro precise buscar constantemente um novo problema para colocar entre os dois.
No fim, Coração Partido funciona como um romance adolescente competente, com uma história fácil de acompanhar e personagens que conseguem despertar interesse. Não é uma produção que reinventa o gênero e nem parece estar tentando fazer isso.
É simplesmente um filme que conhece a sua proposta e a executa sem grandes pretensões. E, às vezes, isso já é suficiente.
Avaliação: ⭐⭐⭐






