A vida moderna nos cobra um preço alto. Prova disso é o aumento da prevalência de casos de doença inflamatória intestinal (DII), no Brasil, em quase 60% em apenas cinco anos. Os dados são de uma pesquisa apresentada durante o 74° Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado mês passado em Santa Catarina, por Abel Quaresma e Paulo Kotze. Os dois pesquisadores são membros da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).
O estudo com base no DataSUS atualiza outra pesquisa feita com informações de 2012 a 2020. Nesse período, a prevalência da doença já havia mais que triplicado, indo de 30 para 100,1 casos a cada 100 mil habitantes. A partir de 2018, os pesquisadores identificaram uma aceleração no crescimento. Hoje, já são 158 casos a cada 100 mil habitantes.
Genética e alimentação
Os médicos dizem que a genética cumpre um papel importante na ocorrência da DII. Cerca de 30% das pessoas com a doença possuem um gene específico que determina o seu aparecimento. O estresse é outro componente que, apesar de não causar a doença, piora os sintomas, reduz a imunidade e deixa o indivíduo mais suscetível a novas crises.
Com a genética não há muito o que fazer, mas outras causas possíveis da DII são o sedentarismo e o aumento do consumo de alimentos ultra processados. Qualquer cidadão que tenha o cuidado de espiar o rótulo de uma embalagem dos alimentos nas prateleiras dos supermercados, percebe que ali tem mais química que alimento. O pão de forma, por exemplo, tem mais de 15 ingredientes cujos nomes são indecifráveis. Não pode dar em boa coisa. As indústrias mudam a composição dos alimentos para diminuir os custos e aumentar o tempo de prateleira, em detrimento da qualidade nutricional do produto.
O estudo apresentado no congresso mostra ainda dados de maior prevalência da DII nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para São Paulo (278 casos a cada 100 mil habitantes), Paraná (251/100 mil) e Santa Catarina (204/100 mil). O Norte e o Nordeste, por sua vez, apresentam taxas significativamente menores, o que pode ser explicado pela dificuldade de acesso ao exame diagnóstico: a colonoscopia.
Vigilância
No mundo todo a ocorrência das DII tem aumentado, porém de forma mais lenta do que no Brasil. Os pesquisadores avaliam fatores ambientais, sociais e assistenciais que podem estar influenciando na evolução da doença no país.
Com este panorama nada animador, de aumento do número de casos de DII, só nos resta manter a vigilância. Diarreia, perda de peso e sangue nas fezes são os sinais mais frequentes da doença. Porém, esses sintomas não aparecem em todos os pacientes e, podem indicar uma doença em estado já avançado. A confirmação da DII só pode ser feita com o exame de colonoscopia. Então, não há escapatória. Apesar de ser um exame desconfortável, é melhor se submeter a ele. Do contrário, a alternativa é descobrir alguma doença em estado avançado, quando o tratamento se torna mais complexo.






