Dizem que depois de uma certa idade é quase inevitável falar de saúde, ou pior, de doença. Para quem passou dos 60, é normal conversar a respeito de remédios ou como lidar com algum problema de saúde. É o ônus de se viver mais. Infelizmente o trabalho preventivo raramente é assunto das conversas. Porém, é preciso ficar alerta.
Na semana passada, a morte do cantor Netinho, aos 60 anos, vítima do linfoma não Hodgkin, chamou a atenção para o caso e a necessidade de procurar informação a respeito desse tipo de câncer.
Netinho havia recebido o diagnóstico em 2025 e estava internado após o retorno da doença. Segundo informações, divulgadas na imprensa, o quadro evoluiu com o comprometimento dos rins e disfunção de múltiplos órgãos.
Então vamos às informações. O linfoma não Hodgkin não é uma única doença, mas reúne mais de 40 subtipos, com características e velocidades de crescimento diferentes. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que o Brasil deve registrar 12.560 novos casos entre 2026 e 2028. No Paraná, são estimados 890 novos diagnósticos anuais.
Eduardo Cilião Munhoz, especialista em Hematologia e Oncologia Clínica do IOP (Instituto de Oncologia do Paraná), afirma que identificar o subtipo é fundamental para compreender o comportamento da doença. “O linfoma não Hodgkin não tem um comportamento único. Existem formas de crescimento mais lento e outras que podem evoluir rapidamente. Por isso, precisamos conhecer o subtipo, a extensão da doença e as condições clínicas do paciente. Essas informações fazem toda a diferença na escolha da melhor estratégica terapêutica”, ressalta.
Alerta
Como reconhecer a doença? Um dos sinais mais frequentes é o aumento dos linfonodos, popularmente conhecidos como gânglios, especialmente no pescoço, axilas e virilhas. Muitas vezes sem dor. A doença pode provocar, em alguns casos, sintomas respiratórios e desconforto abdominal.
“Um gânglio aumentado não significa automaticamente um linfoma. O que merece atenção é quando esse aumento persiste, cresce progressivamente ou vem acompanhado de febre sem explicação, suor noturno intenso e perda de peso. Nesses casos, é importante procurar avaliação médica”, orienta Cilião.
A agressividade do linfoma não significa, necessariamente, pior resposta ao tratamento. Os especialistas afirmam que há linfomas agressivos que respondem bem à terapia e podem ser curáveis, enquanto algumas formas de crescimento lento podem permanecer controladas por anos, mas apresentar recorrências.
Fatores de risco
Mesmo após a remissão, é necessário que o paciente seja acompanhado por um médico. Uma recidiva não significa que as possibilidades terapêuticas tenham se esgotado. Cilião explica que quando a doença retorna é feita uma avaliação para definir quais tratamentos podem ser utilizados. Entre as possibilidades estão novas combinações de medicamentos, quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo, transplante de células-tronco hematopoéticas e, para pacientes que atendam a critérios específicos, terapias celulares como a CAR-T.
Entre os fatores de risco para o aparecimento do linfoma não Hodgkin estão as alterações no sistema imunológico, infecção pelo HIV, algumas doenças hereditárias e uso prolongado de medicamentos imunossupressores, como os utilizados por pacientes transplantados. Existem também associações com determinadas exposições ocupacionais a substâncias químicas, entre elas benzeno, alguns agrotóxicos e solventes.
Além de evitar essas situações, é preciso conhecer o próprio corpo e procurar ajuda quando aparecer qualquer sintoma que fuja da normalidade.
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