Cara-De-Barro (2026) é impecável, mas visualmente pode ser perturbador

Assisti ao filme “CARA-DE-BARRO” sem conhecer o histórico do personagem nos quadrinhos e, também, sem carregar aquela expectativa dos fãs. E, para mim, isso foi ótimo!

Para os leigos, assim como eu, o novo longa da DC Comics se passa no universo de Gotham City, mas não cita nosso amado Bruce Wayne em nenhum momento. Ainda assim, há elementos que remetem diretamente aos filmes do Batman: a fotografia mais sombria, o peso acinzentado da cidade, os arranha-céus e aquelas imagens que impressionam pelos reflexos na escuridão, enquanto a personagem caminha pelas ruas depois da chuva. Sabe como?

Mas vamos aos detalhes.

O spoiler de hoje é que eu amei. De verdade!

O longa apresenta uma história muito bem contada e, obviamente, gostamos muito disso. O roteiro conduz a narrativa do começo ao fim, apresentando Matt Hagen (Tom Rhys Harries) como um ator/galã em ascensão em Hollywood, cuja vida vira de ponta-cabeça quando sua imagem é destruída.

Embora a história flerte com algo aparentemente surreal, existe nela uma questão extremamente atual: até que ponto podemos controlar a inteligência artificial? E o que acontece quando esse controle deixa de existir? Meus amigos… aí a coisa pode ficar feia!

Mas, voltando ao filme, há uma ressalva importante: o realismo visceral das cenas que envolvem cortes na pele. São sequências que provocam uma reação imediata de desconforto no espectador – eu diria até que são difíceis de assistir. Confesso que, em alguns momentos, precisei fechar os olhos. Então, já fica o aviso: se você tem agonia desse tipo de cena, faça como eu e não tenha vergonha de espiar por entre os dedos. (risos)

Apesar desses momentos mais difíceis, o filme consegue prender a atenção e nos deixar cada vez mais curiosos para descobrir o que vem a seguir. Afinal, nem sempre uma única produção consegue explorar todos os detalhes de uma história, e é justamente essa vontade de saber mais que permanece depois de algumas cenas.

Ao longo da narrativa, minha percepção sobre Matt também foi mudando. A ideia de enxergá-lo simplesmente como um vilão (como teria que ser) foi se desfazendo aos poucos. É possível compreender suas motivações e até se solidarizar com sua situação, embora isso, evidentemente, não justifique a violência. A vingança passa a fazer sentido dentro da trajetória do personagem, ainda que suas escolhas continuem sendo questionáveis.

E é justamente aí que o filme ganha força: quando nos faz olhar para além do rótulo de vilão e tentar entender o que existe por trás dele.

Sobre o final, fica aquela pulga atrás da orelha. Será mesmo um fim? Quando falamos de histórias envolvendo heróis e vilões, especialmente aqueles marcados pela tragédia, sempre existe a possibilidade de novos capítulos. Até o fechamento desta crítica, não havia confirmação de uma continuação, mas confesso que não descartaria essa possibilidade.

No fim das contas, vale a pipoca? Vale! E pode preparar aquele senhor balde, acompanhado de uma coquinha bem gelada para ajudar a descer a agonia. (risos)

Como disse no começo, gostei muito do filme. E olha que precisei me controlar para não entregar mais detalhes por aqui! Mas, dessa vez, vale segurar os spoilers e deixar que a história faça seu trabalho na tela.

O filme já está disponível nos principais cinemas de todo o Brasil.

Assista ao trailer aqui.

Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

ENTRE
CENAS

Heloísa Ribas é jornalista e pós-graduada em Audiovisual. Apaixonada por cinema desde muito cedo, começou a estudar de forma mais aprofundada aos 16 anos, quando fez seu primeiro curso de áudio para cinema. Em sua coluna Entre Cenas, analisa tudo que faz o cinema nos transportar para dentro da sala. Com olhar crítico e sensível, convida o leitor a descobrir o cinema de um jeito novo a cada texto.

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

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