Vacina deve ser rotina para os 60+

Sempre acho estranho quando converso com alguém que diz não levar muito a sério os cuidados com a própria saúde. Talvez essa estranheza venha do fato de eu ter passado boa parte da infância convivendo com remédios e doentes. Meus pais tinham uma farmácia, no Norte do Paraná, o que me rendeu uma certa familiaridade com os cuidados com saúde.

Em certos momentos, meu pai chegou a ser como um médico no município. Eu o vi tirar anzol da mão de um pescador descuidado e outros pequenos procedimentos. Ele repassava as recomendações e ficava irritado quando a pessoa interrompia o uso dos medicamentos ou não aparecia para trocar um curativo.

Aprendi que um tratamento fica completamente prejudicado se não for concluído, que um ferimento sem proteção pode infeccionar, que deixar de tomar uma vacina pode ter consequências para o resto da vida.

Sendo assim, me surpreende (de maneira negativa) quando um diabético não controla sua alimentação, um hipertenso não diminui o sal ou a ingestão de gordura. Mais do que isso, fico intrigado quando as pessoas, mesmo com recomendação médica, não mudam de atitude diante da vida. Parece que, num certo momento, os hábitos tornam-se quase “vícios”.

Há tempos já se sabe, por exemplo, que o cigarro está ligado a vários tipos de câncer.  E muita gente segue fumando, hábito turbinado com o surgimento dos vapers. Mesmo aquela taça de vinho, durante as refeições, hoje em dia não é bem vista. Além disso, tem quem ainda deixa de tomar vacinas, consideradas fundamentais para a manutenção da saúde de quem já passou dos 50 anos.

Os médicos já sabem que as pessoas passam por um processo natural de imunossenescência, que é o envelhecimento do sistema imunológico. Mas esse processo não se dá da mesma forma para todo mundo. Quanto mais frágil e mais doenças crônicas, maior a necessidade de remédios e maior a probabilidade de prejuízo à resposta do sistema imunológico. Por isso, é tão importante cuidar da saúde ao longo da vida.

Estamos em plena vacinação contra a gripe e os idosos formam um grupo preferencial para receber a vacina, não à toa. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2024,  79% das mortes causadas pelo Influenza, o vírus da gripe, aconteceram em pessoas com uma ou mais comorbidades, principalmente adultos jovens e idosos. Cardiopatia crônica (52,2%), diabetes (32,3%) e pneumopatia crônica (19,4%) foram os principais fatores de risco.

O Dr. Dráuzio Varella, em seu site (drauziovarella.uol.com.br), destaca que a vacina da gripe para pessoas acima dos 60 anos, além de evitar os casos graves e mortes pelo vírus, também previne contra complicações causadas pela infecção.

Ele informa ainda que a vacina de alta dose contra a gripe tem cerca de quatro vezes mais antígenos que a versão tradicional, o que gera uma resposta imunológica mais forte.

Além disso, um estudo clínico com mais de 300 mil idosos mostrou que, em comparação à vacina padrão, a vacina de alta dose: reduz em 7,5% as hospitalizações por doenças cardiovasculares, reduz em aproximadamente 20% as internações por insuficiência cardíaca e ainda diminui o número de hospitalizações cardiorrespiratórias no geral. É a ciência comprovando que a vacinação deve ser uma rotina para os 60+.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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