Muito além da aposentadoria

Certa vez ouvi uma piada de que a partir do momento quando uma mulher descobre que está grávida, ela começa a se deparar com outras mulheres na mesma situação. E não só isso.  A tal sincronicidade vai colocando no caminho da futura mãe diversos temas ligados à maternidade. Parece que o olhar da mulher é conduzido para identificar tudo o que diz respeito ao seu novo estado.

O mesmo raciocínio vale para outros assuntos e com a terceira idade ou envelhecimento não é diferente. Cada vez mais identifico artigos, estudos ou notícias que dizem respeito aos idosos, NOLTS ou como queiram definir quem já passou dos 60 anos.  Quanto mais informação, melhor. Sobretudo porque até pouco tempo atrás pouco se falava no assunto.

Entre tudo o que aparece na internet, TV ou redes sociais tem muita coisa boa e outras nem tanto. Gosto quando a informação se destina às pessoas comuns que não têm nenhuma condição física, financeira ou social privilegiada. Afinal, a maioria da população é assim, comum e também tem o direito de conhecer um caminho para envelhecer bem.

Um desses “produtos” é o documentário “Além do Aposento”, dirigido por Gabriel Martinez, que mostra como algumas pessoas encararam a aposentadoria. Mais do que isso, como elas operaram uma transformação pessoal para esta nova fase da vida.

O interessante é perceber como é importante planejar a aposentadoria, pois chegar aos 80 ou 90 anos provavelmente será a realidade para muita gente. Então, que esse tempo seja bem vivido.

O documentário acompanha a vida de cinco pessoas. Não são personagens porque são muito reais. Anildo é um cidadão comum que, ao se aposentar, ficou em casa assistindo TV ou indo ao bar tomar um trago com os amigos. Logo, as idas ao botequim ficaram mais frequentes ao ponto de ele se tornar alcoólotra. Depois de ser advertido por um médico resolveu mudar de vida. Aceitou o convite de um amigo e passou a correr. Deixou o álcool e ganhou uma nova vida.

Dona Marília tomou outro caminho. Logo que deixou de trabalhar, passou a se dedicar à natação, seu esporte preferido. Tanto fez que começou a participar de competições e serve de inspiração para muita gente. Seo Devarty mora numa propriedade cercada de mata. Ali ele faz de tudo um pouco. Alguns dias da semana é pizzaiolo, mas a maior parte do tempo lida com sua propriedade.

O sul-africano Guido, naturalizado brasileiro, trabalhou como tradutor em São Paulo por décadas. Ele ganhava muito bem, mas um dia foi vítima de um sequestro relâmpago com o filho. Concluiu que aquela não era a vida que desejava para sua velhice. Mudou-se para Ilhabela e virou guia turístico.

E finalmente conhecemos a história da Tomiko, uma enfermeira aposentada que foi diagnosticada com osteoporose. O médico recomendou que ela abandonasse o sedentarismo e caminhasse um pouco. Timidamente, ela foi começando a andar. Certo dia uma amiga a convocou para uma corrida. Mesmo sem ter a mínima ideia do percurso, ela aceitou o desafio e quase morreu. Mas não desistiu. Tomiko insistiu e passou a fazer corridas longas, revertendo a osteoporose.

São casos inspiradores, principalmente porque mostram que não é necessário ter condições ideais para sair da inércia. É preciso apenas entender o que é preciso para manter sua integridade física e mental, quando o tempo parece ser desfavorável. O documentário “Além do Aposento” está disponível no Youtube.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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