Um dos “ativos” mais importantes do envelhecimento é adquirir conhecimento e, às vezes, um pouco de sabedoria. Porém, nem todo mundo tem esta sorte. Há muita gente que nesta fase da vida continua insistindo em viver mal, destilando amarguras e ressentimentos. Nossa trajetória deveria ser outra, em direção a uma existência mais leve e autêntica para que a velhice não se transforme num fardo pesado demais.
No livro “O legado dos Genes”, as autoras Mayana Zatz e Martha San Juan França ressaltam que a melhor idade pode ser qualquer uma-vinte, quarenta, sessenta ou setenta anos. “ A melhor idade é aquela em que se está em paz consigo mesmo, com a vida e com as pessoas que se ama”, destacam as autoras.
Para elas, “envelhecemos como vivemos, nem melhor, nem pior”. Sendo assim, o ideal é começar o quanto antes a tratar traumas, medos e manias. É a oportunidade de não nos tornarmos idosos ensimesmados em nossas neuroses, isolados socialmente e sem saúde mental para enfrentar um período carregado de limitações, sobretudo físicas.
Acredito que uma forma eficiente de se preparar para a vida, não importa a idade, é o autoconhecimento. Saber como se funciona, o que o faz reagir positiva ou negativamente, os mecanismos de compensação, fraquezas e limitações, tudo isso facilita a nossa trajetória.
As autoras de “O legado dos Genes” confirmam, “a saúde e a longevidade dependem, também da dedicação ao capital social e psicológico dos mais velhos- a capacidade de se conhecer, de aceitar as próprias limitações e de estar em harmonia consigo mesmo e com os outros”.
Daí a necessidade de, ao longo da vida, fazer esse exercício de reflexão, reposicionar nossa vida para que ela entre nos trilhos que desejamos. Adversidades podem acontecer a qualquer momento, mas se tivermos alguma segurança emocional, tudo fica mais fácil.
Quem não tem a capacidade de reflexão, perde a oportunidade de mudar de atitude, não consegue alterar o rumo das coisas, entra no ritmo “deixa a vida me levar” e entrega as rédeas da sua vida ao acaso. Refletir sobre a vida não resolve tudo, mas ajuda a apontar alguns caminhos e evitar erros recorrentes.
Já vi muita gente que só sabe falar por indiretas, que tem dificuldade para dizer claramente o que deseja e aí mora o perigo. A chance de frustração é muito grande. Imagine chegar aos 60+ esperando que as pessoas adivinhem o que você quer/sente. Sem dúvida alguma, comportamentos como esses podem levar o idoso a se isolar do convívio social.
Para quem ainda não consegue pensar a respeito desses temas sozinho, a psicoterapia está aí. É um recurso importante para que conheçamos o labirinto que é nossa mente. Mas é indicada para quem está disposto a encarar um espelho que revela tudo, até o que nem admitimos para nós mesmos. O único cuidado é procurar profissionais com boa formação, de preferência recomendados por alguém de confiança.
Acredito que a (boa) literatura também pode ajudar qualquer cidadão a desenvolver sua vida interior. Grandes autores como Marcel Proust, Machado de Assis, Dostoiévski, Molière, Guimarães Rosa e Shakespeare trataram de temas cruciais da existência. Ler uma dessas obras também pode ser um convite para entender nosso universo pessoal.





