Olá, queridos leitores do Comer e Curtir! 🌿 Que bom ter você por aqui! Na coluna desta semana vou compartilhar uma experiência de mindful eating que me tocou profundamente e que pode transformar a sua relação com a comida de um jeito simples, bonito e muito saboroso por meio da alimentação plant-based. Vamos lá?
Recentemente, vivi um momento que me tirou do piloto automático e me trouxe inteiramente para o presente. Foi durante uma vivência na Chacarananda Ashram, um espaço que convida à desaceleração, ao silêncio e ao encontro com o próprio corpo. Ali, participei de uma prática de mindful eating e ela me mostrou o quanto estamos distantes da experiência real de comer.
O que é mindful eating e por que ele importa tanto?
Mindful eating, ou alimentação consciente, é a prática de comer com atenção plena. Significa perceber todos os sentidos envolvidos no ato de se alimentar: o aroma, a textura, o sabor, a temperatura e até o som dos alimentos. É uma abordagem que nasce da tradição do mindfulness e que vem sendo cada vez mais estudada pela ciência.
Na prática, significa desacelerar, mastigar com consciência e reconhecer os sinais de fome e saciedade do corpo. Mais do que uma técnica, é um convite para transformar o ato de comer em um momento de cuidado com o corpo e com a mente.
5 benefícios do mindful eating comprovados pela ciência
- Redução da alimentação impulsiva: estudos mostram que intervenções baseadas em atenção plena ajudam a diminuir episódios de compulsão alimentar;
- Maior percepção de saciedade: comer devagar e com consciência permite que o corpo reconheça melhor os sinais de “já chega”;
- Melhora da autoconsciência alimentar: revisões sistemáticas apontam que práticas de mindful eating estão associadas a maior percepção sobre os próprios hábitos;
- Redução de padrões alimentares desorganizados: a atenção plena durante as refeições ajuda a regular a ingestão de forma mais saudável e equilibrada;
- Conexão com o prazer de comer: ao sair do automático, você redescobre sabores, texturas e a alegria genuína que o alimento pode trazer.
Comer com os olhos fechados: quando o controle dá lugar à experiência
Um dos momentos mais marcantes da vivência na Chacarananda foi quando recebemos a orientação de tapar os olhos durante a refeição. A proposta parecia simples mas rapidamente se revelou um exercício poderoso de entrega.
Sem a visão, perdemos o controle sobre o prato. O gesto automático de cortar os alimentos com garfo e faca se torna inseguro. A mente tenta dominar a situação. E então acontece algo lindo: aos poucos, você se rende.
O garfo e a faca deixam de ser necessários. As mãos entram em cena. O alimento passa a ser sentido antes de ser visto. A textura guia o movimento. O cheiro desperta a curiosidade. O sabor ganha protagonismo. Nesse momento, comer deixa de ser um ato mecânico e passa a ser uma experiência sensorial completa.
Dica para experimentar em casa: na próxima refeição, tente fechar os olhos por pelo menos 3 garfadas. Perceba os aromas, as texturas e os sabores de um jeito completamente novo.
Alimentação plant-based: simplicidade, leveza e consciência inclusive sem glúten
Outro aspecto que me encantou na vivência foi a proposta de uma alimentação plant-based, centrada em alimentos de origem vegetal. Esse estilo de comer pode ser naturalmente sem glúten, dependendo dos ingredientes escolhidos, e tem muito a nos ensinar.
Pesquisas mostram que padrões alimentares baseados em vegetais estão associados à redução do risco de doenças cardiovasculares, melhora do controle metabólico e maior ingestão de fibras e compostos bioativos protetores. Mas além da ciência, existe algo mais sutil: a alimentação plant-based convida à conexão com a natureza e ao respeito pelos ciclos dos alimentos.
Não se trata de restrição. Trata-se de consciência.
Quer aprofundar essa jornada? Curso Veg-Vegan com Laura Parker
Para quem deseja mergulhar ainda mais nesse caminho de alimentação consciente e plant-based, tem uma oportunidade incrível com inscrições abertas: o curso Veg-Vegan, conduzido pela chef e educadora Laura Parker.
O curso propõe uma imersão prática e sensorial na culinária vegetariana e vegana, com foco em preparo consciente, nutrição equilibrada e valorização dos alimentos naturais. É uma experiência que vai muito além das receitas, é uma jornada de aprendizado sobre alimentação, saúde e presença.
As inscrições podem ser feitas diretamente no link:
https://www.chacarananda.com/veg-vegan
Mindful eating no outono: a sopa como experiência de presença
Com a chegada dos dias mais frios do outono, a sopa se torna o alimento perfeito para praticar mindful eating. Ela convida à pausa. Ao calor. À respiração lenta. Ao sabor percebido com calma.
Uma colher de sopa pode ser mais do que alimento pode ser um momento de conexão com o corpo e com o presente. Por isso, compartilho abaixo uma receita simples, plant-based e naturalmente sem glúten, retirada do livro Viver Vegetariano de Laura Packer, que traduz muito bem essa proposta de alimentação consciente.
Receita: Sopa-creme verde (plant based)

(rendimento: 4 porções)
Ingredientes:
2 xícaras de ervilha seca deixada de molho
2 xícaras de ervilha fresca
Azeite de oliva
Sal
Shoyu
Modo de preparo:
- Escorra a água em que a ervilha ficou de molho, lave novamente e coloque para cozinhar com água suficiente para cobrir dois dedos acima da ervilha. Quando estiver macia, bata até formar um creme e tempere com sal.
2. Refogue separadamente a ervilha fresca em azeite com uma pitada de sal. Tempere com shoyu e adicione ao creme de ervilha. Finalize com um fio de azeite de oliva antes de servir.
Sirva quente.
Respire.
Sinta o aroma.
Perceba o sabor.
E permita-se estar presente.
Dica de mindful eating: antes de servir, feche os olhos por alguns instantes e perceba o aroma da sopa. Deixe o calor e o cheiro chegarem até você. Então, saboreie a primeira colher com toda a atenção.
E é assim, querida comunidade Comer e Curtir, que uma simples tigela de sopa pode se tornar um ato de amor próprio. Que você encontre nesses momentos à mesa uma pausa gostosa no meio da correria do dia a dia: com presença, sabor e muita leveza.
Se experimentar a receita ou a prática de mindful eating, me conta nas redes sociais! Adoro saber como foi para você. 💚
Até a próxima, com carinho e bom apetite!
Fotos: ChatGPT
Referências:
KRISTELLER, Jean L.; WOLVER, Ruth Q.
Mindfulness-based eating awareness training for treating binge eating disorder: the conceptual foundation. Eating Disorders, v. 22, n. 1, p. 49–61, 2011.
MASON, Ashley E. et al.
Mindfulness-based interventions for weight loss: a systematic review and meta-analysis. Obesity Reviews, v. 17, n. 10, p. 901–919, 2016.
PACKER, Maria Laura Garcia. Viver vegetariano: sutilizando a existência: 108 receitas veganas inspiradas com sabedoria, arte e beleza. Blumenau: Nova Letra, 2010.
SATIJA, Ambika; HU, Frank B.
Plant-based diets and cardiovascular health. Trends in Cardiovascular Medicine, v. 28, n. 7, p. 437–441, 2018.
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