Por Simone Meirelles, editora do Comer e Curtir
O Restaurante Igor está completando oito anos e fomos jantar lá para conhecer o atual menu degustação. Com 13 etapas, a experiência sai por R$ 440 (sem bebidas) ou R$ 790 com harmonização de vinhos e cervejas selecionados. Os pratos são refinados e traduzem muito a técnica e a forma de lidar com ingredientes do chef Igor Marquesini.
Segundo ele, “desde o pão até a sobremesa, tudo é pensado como parte de uma jornada. Começamos com essa intenção e, hoje, ela se traduz em um menu degustação de 13 etapas, que percorre diferentes técnicas culinárias do mundo”.
Entre os pontos altos do menu, estão s ostras com morango fermentado e pimenta, o saboroso velouté de milho e caldo de frango, acompanhado de camarão curado e o macio lombo de cordeiro com creme de ameixa, polenta amarela com kefir e molho demi glace. Vale destacar ainda a brandade de pupunha sobre crocante de araruta e a versão autoral de carne de onça, com toques de alho negro, coentro e pimenta. Esse menu será servido até a metade do outono, quando será substituído por uma opção de inverno.
Em tempo: o restaurante Igor foi um dos contemplados com as Estrelas Top View 2026 como um dos dez melhores restaurantes de Curitiba.

Confira a entrevista exclusiva que fizemos com Igor Marchesini sobre os oito anos do restaurante:
Comer e Curtir: Como nasceu o Restaurante Igor?
Igor: O restaurante nasceu do desejo de proporcionar uma experiência completa do começo ao fim para cada pessoa que passa por aqui. Desde o pão até a sobremesa, tudo é pensado como parte de uma jornada. Começamos com essa intenção e, hoje, ela se traduz em um menu degustação de 13 etapas, que percorre diferentes técnicas culinárias do mundo, sempre utilizando os melhores ingredientes que conseguimos encontrar.
Nestes oito anos, o que mudou e o que permanece?
Igor: No início, trabalhávamos com um formato em que o cliente podia montar seu próprio menu de seis etapas. Era uma proposta interessante, mas operacionalmente desafiadora, especialmente com mesas maiores.
Com o tempo, percebemos que os pratos à la carte deixaram de fazer sentido dentro da proposta, e foi aí que veio a virada de chave: assumimos o restaurante como uma casa de menu degustação.
O que permanece é o olhar atento à sazonalidade e o compromisso em evoluir constantemente, mantendo a cozinha viva.
Como você encontra inspiração para seus pratos?
Igor: Hoje, a criação não parte necessariamente de uma memória afetiva específica, mas de um repertório construído ao longo dos anos. Temos uma base de referências e estruturas que organizam o menu. Por exemplo, começamos com snacks e depois seguimos com outras etapas que já fazem parte da identidade da casa.
A partir disso, olho para os ingredientes da estação e começo a cruzar possibilidades, analisando combinações que façam sentido.
Essas combinações vêm de muito estudo, tanto da cozinha clássica quanto da contemporânea, em diferentes culturas. Depois, entro na parte técnica como fazer esses elementos conversarem e, por fim, no refinamento: textura, acidez, crocância, elementos herbais e apresentação.
Qual ingrediente você mais gosta? E qual você evita?
Igor: Sou muito fã de ameixa, é um ingrediente que espero o ano inteiro para trabalhar no menu.
Por outro lado, evito ingredientes importados que não fazem sentido dentro da nossa identidade, como trufas em conserva ou óleos artificiais.
De todos os pratos que criou, há um preferido?
Igor: Com a troca completa do menu a cada seis meses, são muitos pratos ao longo do tempo. Mas um que traduz bem a essência da nossa cozinha é o peixe na brasa com um caldo cremoso de frango, castanha-do-pará e cogumelo Paris. É um prato de inverno, aparentemente simples, mas com bastante profundidade.
O que podemos esperar do restaurante nos próximos meses e anos?
Igor: Seguimos como um laboratório, com uma cozinha viva e em constante transformação. A ideia é sempre superar o menu anterior, evoluindo técnica e conceito a cada nova temporada.
Com o crescimento da cidade, sentimos que há cada vez mais espaço para esse tipo de experiência gastronômica.
Se você pudesse escolher sua última refeição, qual seria?
Igor: Se fosse a última, seria uma boa lasanha, que me remete à minha infância nos dias de domingo.
Confira o menu degustação atual do restaurante Igor e minhas impressões sobre ele:
Snacks
Ostra, morango, centeio – As ostras numa combinação de gaspacho de morango, morango fermentado com pimenta e crocante de centeio.
Pupunha, castanha, maracujá – Uma leve brandade de pupunha sobre crocante de araruta, finalizado maracujá na forma de tempero.
Milho, frango e camarão. Um saboroso velouté de milho e caldo de frango, acompanhado de camarão curado, um dos melhores pratos da noite.
Ovo, castanha do Pará e cogumelo – Creme de tamagoyaki (omelete japonês) , castanha do pará e purê de cogumelos
Carne crua, alho negro e pimentas. Uma versão autoral de carne de onça, com toques de alho negro, coentro, pimentas e creme de tofu
Peixe, manga e orégano – Peixe, creme fresco, cubinhos de manga e arroz frito. Refrescante.
Sourdough e Brioche – Uma pausa na refeição com pães artesanais
Pratos principais:
Tomate, bottarga e chuchu. Tomate cereja seco, chuchu em texturas (cozido e picles), bottarga ralada e folhas de pancs. Foi o prato que menos me agradou, talvez por ter a bottarga muito evidente.
Peixe, minestrone de vôngole e feijão. Peixe curado no próprio restaurante, grelhado na brasa, minestrone de vôngole e feijão manteiguinha
Cordeiro, polenta e ameixa – Um macio lombo de cordeiro com creme de ameixa, polenta amarela com kefir e molho demi glace.

Melão, limão e trigo – Para limpar o paladar, um refrescante sorbet de melão.

Sobremesas
Framboesa, amora, beterraba. Adorei a combinação, em que a beterraba tem uma textura de bala de goma, servida com creme e frutas.
Para finalizar, Igor servir bombons de caramelo salgado e cachaça, e chocolate branco com ganache de cenoura.

Obs. O menu é trocado sazonalmente.
Serviço:
Restaurante Igor
Rua Gutemberg 151, Curitiba, PR, 80420-030 · 2,9 km
Reservas (41) 3014-0906
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