Ponta Grossa: muito além de Vila Velha, um passeio pelos Campos Gerais

Ponta Grossa é uma das maiores cidades do Paraná e muita gente acha que conhece. Se você mora em Curitiba provavelmente já ouviu falar do Parque Estadual de Vila Velha, já passou pela cidade a caminho do interior ou conhece alguém que foi até lá para visitar o Buraco do Padre.

Mas Ponta Grossa é muito mais do que esses dois pontos turísticos. A pouco mais de uma hora de Curitiba, a cidade é uma ótima base para conhecer algumas das paisagens mais bonitas dos Campos Gerais. Tem formações rochosas de milhões de anos, cachoeiras, trilhas, cavernas, história, cerveja artesanal e até um prato típico de dar água na boca! 

Vila Velha: as pedras que viraram cartão-postal

Cartão postal de Ponta Grossa - a taça.
Cartão postal de Ponta Grossa – a taça. Foto: Elaine Nunes

O Parque Estadual de Vila Velha foi o primeiro parque estadual criado no Paraná e guarda formações de arenito com mais de 300 milhões de anos. O vento e a água foram esculpindo as pedras ao longo do tempo e criaram figuras que ganharam nomes bem populares: tem o Urso, a Bota e, claro, a famosa Taça.

Há alguns anos, o Parque passou a ser administrado por uma empresa privada e conta com vários atrativos, como arvorismo, tirolesa, caminhada noturna, cicloturismo e até voo de balão.

Se você conhece apenas o Parque das décadas de 80 e 90, vale a pena voltar lá!

Buraco do Padre: uma cachoeira dentro de uma furna

Um lugar que faz a gente pensar: “como isso aconteceu?” O Buraco do Padre tem uma beleza diferente, uma cachoeira que salta para dentro de uma furna de 40 metros de altura. 

Apesar da imagem impressionante, o Parque tem muito mais a oferecer. Hoje, o acesso é bem estruturado, com trilhas e centro de visitantes, o passeio pode ser feito por famílias. A organização não perde em nada para um parque de natureza internacional. Já levei até meus pais lá e eles adoraram! Foram até a Fenda da Freira. Só faltou a tirolesa!

Passeio em família na Fenda da Freira, no Parque Buraco do Padre.
Passeio em família na Fenda da Freira, no Parque Buraco do Padre. Foto: guia local.

Cachoeira e chalés

Saindo um pouco dos atrativos mais conhecidos, vale pegar a estrada em direção à Cachoeira da Mariquinha. A queda de 30 metros termina em uma prainha de areia. A trilha tem menos de um km e é bem tranquila. 

A propriedade é privada e oferece chalés para hospedagem. 

Cachoeira da Mariquinha
Cachoeira da Mariquinha. Foto: Adalmir Lemos

Refúgio das Curucacas 

Ali pertinho, fica outro espaço que vale a visita. O Refúgio das Curucacas trabalha com ecoturismo, camping, educação ambiental e permacultura. Uma das experiências mais curiosas é a escalada em uma araucária nativa. Eles também fazem imersões na região dos Campos Gerais e trazem muito conhecimento aos visitantes. 

É uma maneira diferente de apreciar a paisagem dos Campos Gerais, literalmente subindo na árvore que é um dos símbolos do nosso estado.

Pôr do Sol em um dos passeios do Refúgio das Curucacas.
Pôr do Sol em um dos passeios do Refúgio das Curucacas. Foto: Maurício Martins

Cachoeira São Jorge

O Cânion da Cachoeira São Jorge é um dos mais lindos da região. Descer até a cachoeira exige um pouco de cuidado na trilha, mas vale cada minuto de esforço. 

Ele fica em uma propriedade privada e cobra uma taxa para a entrada. Aos fins de semana, funciona uma lanchonete no local. 

Cachoeira do Rio São Jorge
Cachoeira do Rio São Jorge. Foto: Maurício Martins

Porto Brazos: licor de amora artesanal

Coloque no seu GPS a Adega Porto Brazos e faça uma parada para comprar um licor de amora artesanal. Envelhecidos em barris de madeira, eles lembram muito o sabor do vinho do porto.
A loja tem diversos produtos artesanais de amora como sucos e até sorvete. Vale a pena a parada!

Cafézinho e piquenique 

Uma capela centenária e um café são a combinação perfeita para uma tarde de sábado ou domingo. O Santa Café fica na propriedade da Capela Santa Bárbara e serve cafés, doces e piqueniques.

Antes de ir, cheque o funcionamento no instagram, pois às vezes ele pode estar fechado para eventos. 

Espaço para piquenique no Café da Santa. Foto: Elaine Nunes
Espaço para piquenique no Café da Santa. Foto: Elaine Nunes

Tem história no centro da cidade também

Ponta Grossa cresceu muito ligada à ferrovia. A chegada dos trilhos ajudou a transformar a cidade e deixou marcas importantes na arquitetura e na memória local.

A Estação Saudade, inaugurado em 1899, é uma dessas marcas. O prédio foi reformado em 2019 e abriga atividades culturais e o Museu Ferroviário, além do café do SENAC. O passeio ajuda a contar como era a vida de quem trabalhava nas ferrovias.

Estação Saudade.
Estação Saudade.Foto: By Gabriel K. Nascimento 

E o que comer em Ponta Grossa? Tem prato típico? 

Ponta Grossa tem uma tradição gastronômica que merece ser conhecida, e um dos pratos mais representativos é a alcatra no espeto.

A receita reúne diferentes cortes de carne em uma única peça, que é assada na lenha e chega à mesa acompanhada de itens como arroz, feijão, farofa, maionese e cebolinha ao vinho. Eu sempre passo na Churrascaria Expedicionário do Cogo e é a que recomendo. 

Alcatrão no espeto - prato tradicional de Ponta Grossa. Foto: Elaine Nunes
Alcatrão no espeto – prato tradicional de Ponta Grossa. Foto: Elaine Nunes

A cidade também ganhou um movimento interessante de cervejarias artesanais. Algumas pequenas fábricas recebem visitantes para degustações e apresentam rótulos produzidos na própria cidade.

Pra curtir tudo o que Ponta Grossa tem, vale se hospedar por lá pelo menos um fim de semana! O centro conta com excelentes opções de hotéis!

Boa viagem!

Links para programar seu passeio a Ponta Grossa:

Parque Vila Velha

Parque Buraco do Padre

Cachoeira da Mariquinha 

Cachoeira São Jorge

Refúgio das Curucacas

Santa Café 

Sesc Estação Saudade

Adega Porto Brazos

Churrascaria Expedicionário do Cogo

Destino Paraná
Família

Elaine Wzorek é jornalista e viajante inveterada. Compartilho histórias sobre cidades do Paraná que valem a viagem. E-mail: elainenunesw@gmail.com

Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

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