Eleições: Voto, sangue e escolhas: até quando vamos naturalizar o horror?

A coluna MULHERES OUVIDAS não faz rodeios. Vamos direto ao ponto porque a
realidade não nos dá tréguas! E o temas são eleições.

Nesta semana, os números voltaram a gritar na nossa cara, segundo dados do Ministério
da Justiça e Segurança Pública e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: o Brasil
registra uma média alarmante de 12 tentativas de feminicídio por dia e 4 consumações.
Isso quer dizer que no período entre cada publicação da nossa coluna MULHERES
OUVIDAS são contabilizadas 56 mortes de mulheres silenciadas e 168 tentativas. São
168 mulheres escapando por pouco de virarem estatística de morte, enquanto o país
assiste a tudo isso com um incômodo passivo e passageiro.

Quantas de nós ainda precisam (quase) perder a vida, ser violentadas, silenciadas ou carregar o trauma no corpo e na alma para que a segurança das mulheres deixe de ser tratada como uma pauta secundária ou um mero detalhe burocrático? A violência de gênero não surge do nada, não é fruto de “loucura”, “histerismo” ou “paixão”; ela é alimentada diariamente pelo machismo estrutural que nos cerca e pela leniência de um sistema que, frequentemente, nos ignora e nos abandona à própria sorte.

E é exatamente por isso que é impossível falar sobre essa epidemia de violência sem
encarar de frente o momento cívico que atravessamos. Neste domingo, o Brasil foi às
urnas para decidir o segundo turno das eleições presidenciais. Há quem insista em tentar
nos convencer de que a política é algo abstrato, um jogo distante da nossa rotina. Essa é
uma ilusão extremamente perigosa. É a política real que decide se as redes de proteção
terão orçamento ou serão sufocadas; é ela que equipa ou desmantela as delegacias
especializadas, que garante abrigo para quem está em risco iminente e que impõe — ou
negligencia — o rigor das leis que deveriam assegurar a nossa própria sobrevivência.

A urna nunca foi um espaço neutro; ela é o espelho das nossas prioridades e a
ferramenta da nossa exigência por respeito, dignidade e autonomia. Independentemente
dos nossos posicionamentos partidários ou de em quem cada uma depositou o seu voto,
as urnas já fecharam e o resultado está posto. Agora, o que precisamos repensar com
urgência é o modelo de sociedade que estamos dispostas a tolerar daqui para frente.
Vamos continuar aceitando governantes e instituições coniventes com a barbárie diária
ou passaremos a ter gestões duramente cobradas para assegurar que o direito de
caminhar e existir sem medo seja absolutamente inegociável?

As eleições passaram, mas a nossa responsabilidade coletiva só aumenta. O voto foi apenas
mais um passo. É a partir de agora que a cobrança implacável deve, de fato, iniciar!
Exigir políticas públicas eficientes e proteção real não é favor, é dever do Estado e um
direito nosso que não aceita barganha.

E lembre-se que você não está sozinha nessa luta… juntas somos mais fortes e nos
fazemos ouvir. Fortaleça outras mulheres e, se preciso, faça uso de canais como o Ligue
180 para romper o ciclo do isolamento e do medo.

Eu sou DANDA COELHO, professora universitária, jornalista, bacharel em Direito,
psicanalista, mestre e doutora em Comunicação e criadora da rede de apoio Mulheres
Cuidando de Mulheres. Siga firme, porque a nossa voz não se dobra.

E como foram suas eleições? 

 

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MULHERES OUVIDAS
MULHERES

Danda Coelho. Mãe do André e da Maria Vitória, transformei minha dor em luta auxiliando mulheres no processo de reconstrução de vida pós-divórcio. Jornalista, bacharel em Direito, psicanalista, professora universitária, doutora em Comunicação, palestrante, autora de 12 livros, idealizadora da rede de apoio Mulheres Cuidando de Mulheres. Cozinheira de afeto nas horas vagas! @mulherescuidandodemulheres. TIKTOK @cozinha.descomplicada
* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

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