Dia D (2026): Spielberg apresenta mais verdade do que ficção em novo filme

Chegamos ao filme mais aguardado do ano. Pelo menos para mim.

Dia D (ou Disclosure Day) estreiou nos cinemas brasileiros cercado de expectativas altíssimas entre os apaixonados por histórias envolvendo extraterrestres. Mas quando estamos falando de um filme de Steven Spielberg, a régua naturalmente sobe. Afinal, estamos falando talvez do maior “ufólogo” da sétima arte.

E já adianto uma coisa: este não é apenas mais um filme sobre alienígenas.

Seguindo uma característica que acompanha sua filmografia há décadas, Spielberg entrega aquilo que parece ser a representação mais próxima da realidade possível, baseada em relatos, teorias e registros que circulam há anos. Até citou isso em entrevista ao Fantástico, falando que o filme tem mais verdade do que ficção. Mas a proposta de Dia D é “simples” e direta: precisamos ter acesso à verdade. Mas será que estamos preparados para ela?

O filme responde essa pergunta de uma forma muito bonita, lúdica – como só Spielberg sabe fazer, estilo E.T, sabe? – e, acima de tudo, necessária. No fim das contas, toda a busca externa gira em torno de uma palavra: empatia. É justamente essa característica humana que parece despertar mais interesse nos nossos “vizinhos”.

E, falando da experiência em si, digo para você: mesmo com quase três horas de duração, o tempo simplesmente desaparece. A imersão é tão grande que você não sente o filme passar. E, se for assistir em IMAX, meu querido leitor, prepare-se para mergulhar ainda mais no filme.

A história começa de forma rápida e sem enrolação. Logo somos apresentados à jornalista Maggie, interpretada pela magnífica Emily Blunt, que acaba envolvida em acontecimentos estranhos após um contato visual profundo. Pouco depois conhecemos Daniel, personagem de Josh O’Connor, um especialista em tecnologia que se vê no centro de uma corrida para proteger informações capazes de mudar tudo o que sabemos.

Ao longo do filme acompanhamos sua fuga para manter esses dados em segurança e levá-los até Hugo, personagem de Colman Domingo, cuja missão é tornar pública uma verdade escondida por décadas. Maggie se envolve, sem entender o porquê, nessa fuga ou busca por Daniel e aí tudo se desenrola. 

Mas, durante essa jornada, alguns aspectos da produção me chamaram bastante atenção. O principal foi um plano-sequência específico que é simplesmente delicioso de assistir. Curto, mas extremamente imersivo. Daqueles momentos que aumentam a tensão e colocam você dentro da cena. Tenho certeza de que vai lembrar exatamente de qual estou falando quando assistir.

Essa sequência acontece quando Daniel percebe que foi localizado na fazenda e precisa tirar sua namorada, Jane (Eve Hewson) dali imediatamente. E vale destacar essa personagem, que à primeira vista parece ter pouca importância para a narrativa, mas acaba trazendo uma das discussões mais interessantes do filme: a fé diante do desconhecido.

Aliás, esse é outro mérito da obra. Spielberg trata a religião com muito cuidado e respeito. E faz sentido. Afinal, uma das grandes questões levantadas pela história é justamente esta: se descobrirem que não estamos sozinhos no universo, as pessoas continuarão acreditando em Deus da mesma forma?

Particularmente, achei toda a construção da narrativa impecável. Eu sou do tipo que se incomoda quando um filme deixa pontas soltas, mas aqui isso não me incomodou. E sim, algumas perguntas ficam sem resposta. Mas elas cabem na proposta. Funcionam dentro daquele universo. Não parecem descuido – nem seria, é Steven Spielberg (risos), mas sim uma escolha narrativa.

Mesmo com um final agoniante e surpreendente, capaz de gerar muita discussão, saí da sala apenas agradecendo ao amado “velhinho” por entregar mais uma preciosidade.

No fim das contas, Dia D vale TOTALMENTE o ingresso e a telona. E digo mais: existe um enorme potencial para que ele se torne um clássico moderno, assim como Contato Imediato de Terceiro Grau, E.T. ou Independence Day. A diferença é que aqui Spielberg apresenta uma abordagem muito mais resolutiva.

Preparados?

Assista ao trailer:

Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐

Leia mais sobre filmes na coluna Entre Cenas aqui.

ENTRE
CENAS

Heloísa Ribas é jornalista e pós-graduada em Audiovisual. Apaixonada por cinema desde muito cedo, começou a estudar de forma mais aprofundada aos 16 anos, quando fez seu primeiro curso de áudio para cinema. Em sua coluna Entre Cenas, analisa tudo que faz o cinema nos transportar para dentro da sala. Com olhar crítico e sensível, convida o leitor a descobrir o cinema de um jeito novo a cada texto.

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

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