É comum eu ouvir de colegas que fiz boas opções ao longo da vida e que minha disciplina me rendeu uma vida tranquila. Hoje percebo que alguns hábitos, pequenos, fizeram a diferença. Devo confessar que todas as decisões que eu tive que sustentar foram tomadas em meio a muitas dúvidas. A única forma que eu encontrei para mitigar essa insegurança foi analisar os fatos e a conjuntura que me cercavam, deixando de lado atitudes apaixonadas. Isso me rendeu, talvez, não as melhores decisões, mas a segurança de que estava optando pelo melhor a ser feito naquele momento.
Quanto à organização, aprendi que um planejamento básico evita muita dor de cabeça e autonomia é fundamental. Como diz o ditado popular: “contar com o ovo na cloaca da galinha” nunca foi prudente. Depender de terceiros ou da sorte é um caminho certo para a frustração. Isso vale para quase tudo na vida. Somente o real, o possível, deve nortear a tomada de decisões.
Sem planilhas
Apesar desse aparente racionalismo, não mantenho planilhas com gastos minuciosamente discriminados. Sou de “Humanas” e ainda me bato com os números. No entanto, desenvolvi algumas estratégias para driblar essa deficiência. O primeiro deles foi estabelecer grandes objetivos concretos e não me desviar deles. Assim eu fiz quando comprei um imóvel. Qualquer gasto que pudesse comprometer o investimento imobiliário foi sumariamente cortado. Isso incluiu viagens de férias, compra de carro e outras despesas.
No caso do cartão de crédito, estabeleci um limite muito aquém do oferecido pelo banco. Me comprometi a “apertar o cinto” por um tempo se percebesse que havia extrapolado minha cota. Aprendi a colocar um freio no meu espírito consumista. Quase sempre responder à pergunta “preciso ou quero?” era o suficiente para evitar despesas inúteis.
E tudo isso por não querer passar por dificuldades. Até hoje dispenso o prazer momentâneo de ter um bem não durável ou uma “experiência” que podem comprometer minhas finanças. Talvez eu esteja me privando de muita coisa aos olhos de outrem. Mas essas privações não têm qualquer significado perto da tranquilidade e autonomia conquistadas.
Independência
Como não me casei (por enquanto), tampouco tive filhos, minha rede de apoio se resume a meus irmãos, sobrinhos e alguns amigos. Mas entendo que mesmo minha família não tem qualquer obrigação de arcar com despesas além dos seus custos pessoais. Meus familiares podem, no máximo, estabelecer alguma parceria comigo, pela afinidade e confiança que nos unem. E, felizmente, temos muito em comum. Quando estabeleci que não deveria depender de terceiros, incluí minha família. A nossa relação tem que ser afetuosa e não uma obrigação de servir o outro.
Não conto com herança, nem espero ganhar prêmio de loteria ou qualquer outro benefício para melhorar de vida e isso me dá a tranquilidade. Também não espero que cuidem de mim na velhice. Sobretudo espero não depender financeiramente de terceiros.
Talvez essa conversa não faça sentido para quem esteja no auge do seu período produtivo, ainda planejando o futuro. Porém, para quem já está visualizando sua aposentadoria é bom ir pensando no assunto.
Quais serão suas prioridades nos 60+? O que você está fazendo para conseguir esses objetivos? Que tipo de idoso você pretende ser? Como está construindo essa velhice? Que hábitos deve mudar para viver melhor? Com que recursos e com quem você poderá contar?
Essas respostas devem ser objetivas, deixando de fora hipóteses fantasiosas, ideias mirabolantes e milagres que nunca chegam. É o jeito de ter uma velhice mais tranquila.





