Aposentadoria cada vez mais distante

 

Se alguém ainda acha que vai demorar para que o perfil da sociedade brasileira mude, é bom ficar de olho nos números que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) costuma divulgar periodicamente. A população brasileira está envelhecendo e o país dá passos tímidos para se adaptar a esta nova realidade.

Nos próximos três anos o país terá mais pessoas acima de 60 anos do que crianças e adolescentes com até 14 anos.  De acordo com as projeções do IBGE, em 2029, o número de pessoas de 60 anos ou mais deve chegar a 40,1 milhões, superando os 39,2 milhões de pessoas entre 0 e 14 anos.

Com mais idosos do que jovens a pressão sobre o sistema previdenciário deve aumentar. Olhando mais longe, o ano de 2050 é o marco que preocupa os estudiosos do tema. A partir dessa data haverá a equiparação de um contribuinte para cada aposentado, o que torna inviável o atual modelo de repartição solidária, no qual os mais novos, em idade ativa no mercado de trabalho, sustentam as aposentadorias e pensões dos mais velhos,

Atualmente existem dois contribuintes por aposentado. Em 2019, quando foi feita a reforma da Previdência, eram 4,5 pessoas em idade ativa para cada pessoa com mais de 60 anos.

A combinação do aumento da expectativa de vida e da queda acelerada da fecundidade no país também preocupa. Isso diminui a base de trabalhadores ativos e amplia o número de aposentados. É por isso que novas mudanças no sistema previdenciário devem acontecer nos próximos anos.

A participação de pessoas acima de 60 anos no mercado de trabalho já é uma realidade. Dados do Ministério do Trabalho indicam um crescimento da contratação formal em todas as faixas acima dos 50 anos, entre 2024 e 2025. Os vínculos formais para trabalhadores de 50 a 59 anos cresceram 7,6%. Entre 60 e 64 anos, a alta foi de 12,2%. Para quem tem 65 anos ou mais, o avanço chegou a 16,1%.

O lado menos positivo é que muitas das oportunidades de recolocação para profissionais mais velhos são em funções operacionais com salários mais baixos, mesmo para quem tem qualificação.

Por isso, muitas vezes a mudança de carreira, após os 50 anos, se torna necessária, seja pela busca de realização pessoal, seja por não haver opção no mercado para profissionais mais velhos e eles têm que criar seu próprio negócio.

Para quem tem formação, essa adaptação se dá mais facilmente. O grande desafio é para a população com baixa escolaridade e dificuldade de inclusão digital.

Este é o cenário que deveria ser levado em conta por quem ainda está longe dos 60 anos. Afinal de contas, tudo leva a crer que o emprego formal será muito diferente do que conhecemos hoje. E talvez a vida ativa do trabalhador deve se prolongar para muito além dos 60 anos. Melhor estar preparado para isso, com hábitos que contribuam para sua saúde física e mental.

 

 

 

 

Viver Melhor 60+
Viver Melhor

Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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