A maioria dos meus amigos está na minha faixa de idade, uns poucos estão abaixo dos 50 anos. Nas conversas, não são raros os comentários a respeito da dificuldade de incluir qualquer atividade física na rotina. Não me refiro a fazer uma hora de musculação, Yoga ou Pilates, mas gastar meia hora com uma caminhada. Maior ainda é a resistência para adotar uma alimentação saudável, reduzir o açúcar, álcool ou cigarro.
Observo esse comportamento entre pessoas com ou sem formação educacional. Logo, informação nem sempre melhora a situação. Parece que há um sentimento de negação. Pior, um certo fatalismo, para o qual todos os nossos problemas já estão traçados por algo superior, independentemente do que fizermos. Neste último caso, qualquer atitude preventiva seria inútil. E aí mora o perigo.
Sem cuidados de prevenção, a velhice pode se transformar num calvário de doenças, limitações e dependência de terceiros. Negar essa dura realidade é não querer enxergar o óbvio.
Exercícios amigos dos 60+
A ciência já mostrou que exercícios simples como fazer flexões contra uma parede, exercitar o equilíbrio (ficando em pé sobre uma perna só), inclinar o tronco para a frente ou sentar e levantar várias vezes, podem ajudar a melhorar a vida de quem está envelhecendo.
Uma rotina mínima de atividade física pode garantir o bom estado das pernas, para que os 60+ consigam se deslocar dentro de casa, tomar banho sozinho ou ir à padaria na esquina. Ficar em casa vendo TV ou acessando o celular não ajuda em nada.
Vejo muita gente mudando de profissão, empreendendo, mesmo tendo passado dos 50. Porém, são poucas as que dedicam algum tempo ao seu bem estar. Isso inclui dispender um tempo para atividades físicas ou para um hobby que pode melhorar sua saúde mental. O tempo cobra caro por essa opção.
Por isso iniciativas que incentivam os 60+ a se envolverem em atividades esportivas, culturais ou sociais, precisam ser mostradas e multiplicadas. Em Curitiba, a Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude já promoveu, este ano, os Jogos Municipais da Pessoa Idosa.
Bem estar físico e mental
Para os organizadores, não se trata somente de uma competição esportiva, mas uma contribuição para que o idoso amplie o seu círculo de amizades, desenvolva suas capacidades físicas e consiga ter mais autonomia no seu dia a dia. O governo do estado também tem programas voltados aos idosos como o Cuida Mais Paraná “Envelhecimento Ativo”.
A prefeitura tem os Espaços ConViver, em diversos bairros, onde são oferecidas oficinas e atividades coletivas para quem passou dos 60 anos. Basta entrar no site da prefeitura (Curitiba.pr.gov.br) e localizar o mais próximo.
De São Paulo vem uma iniciativa inusitada: ensinar boxe para mulheres idosas. A ideia foi posta em prática pela Amuv (Associação de Mulheres Unidos Venceremos) e da Casa Mestre Ananias. A intenção era estimular a socialização e melhorar a auto-estima das idosas do bairro do Bixiga. Afinal, a solidão e a falta de movimento era a principal queixa desse público.
O projeto Geração Nocaute recebe no máximo 15 alunas por vez. Sob a orientação de um professor, as alunas começaram a fazer aulas de boxe e, com alguns meses de prática, sentiram uma melhora sensível na sua condição física. Muitas alunas relataram não mais apresentar os sintomas de artrite e artrose, nem as dores nos joelhos, ombros e mãos. Isso acontece, porque o boxe exige movimentos que fogem da rotina natural, o que ajuda a desenvolver a coordenação motora e o equilíbrio do praticante. Assim, as alunas do projeto estão conseguindo nocautear o sedentarismo e o desânimo, além de ganhar mais vitalidade. Uma lição para os sedentários de plantão.





