Sempre gostei de estudar sobre a Segunda Guerra Mundial. Sobre Nuremberg não seria diferente. Por mais horrenda que tenha sido, principalmente tudo o que envolve Hitler, o nazismo e as atrocidades cometidas, existe uma coisa que sempre me prende: tentar entender como tudo aquilo aconteceu. Como um discurso conseguiu manipular milhões de pessoas? Como tanta gente embarcou naquela narrativa? Como um sistema inteiro foi construído em cima do ódio? Talvez seja justamente porque eu nunca consiga compreender completamente que eu queira estudar cada vez mais.
Nuremberg não fala da guerra. E, para mim, esse é o grande diferencial do filme. Baseado no livro “O Nazista e o Psiquiatra”, escrito pelo jornalista norte-americano Jack El-Hai, ele escolhe mostrar o que acontece quando as armas já se calaram, mas as consequências ainda ecoam. A história acompanha os Julgamentos de Nuremberg e, principalmente, a relação entre o psicólogo Douglas Kelley (Rami Malek) e Hermann Göring (Russell Crowe), um dos principais líderes do Terceiro Reich.
E, gente… que filme!
É difícil explicar o que senti assistindo. Não porque ele seja cheio de cenas grandiosas, mas porque ele faz exatamente o contrário. Ele te prende em salas de interrogatório, em conversas aparentemente simples, em olhares e silêncios. De alguma forma, aquilo se torna sufocante.
O que mais me impressionou foi a manipulação. Mesmo derrotado, Göring continua tentando controlar tudo ao seu redor. A forma como Russell Crowe constrói esse personagem é assustadora porque, em vários momentos, você esquece que está diante de um dos maiores criminosos da história. Ele é articulado, inteligente, carismático… e é justamente isso que assusta. O mal raramente chega com uma placa dizendo que é o mal.
Rami Malek também entrega uma atuação impecável. Dá para sentir o conflito dele entre a curiosidade científica de entender aquela mente e o peso moral de estar frente a frente com alguém responsável por crimes tão brutais. Você compra completamente essa relação.
Eu terminei o filme pensando que talvez esse seja um dos retratos mais importantes do pós-guerra. Porque ele não fala apenas sobre condenar culpados. Ele fala sobre compreender como pessoas comuns podem participar de coisas extraordinariamente cruéis. E essa talvez seja a pergunta mais desconfortável de todas.
O filme acabou e fiquei com aquela sensação rara de quem assistiu algo realmente grande. Faz tempo que uma produção não me impactava desse jeito. A direção é segura, as atuações são absurdas e a reconstrução histórica é feita com um respeito que dá para sentir em cada detalhe.
Eu gosto de filmes que contam histórias. Mas gosto ainda mais dos que me fazem continuar pensando neles muito depois que os créditos acabam. Nuremberg fez exatamente isso.
Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐
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