Paraná aposta em tecnologia e identidade própria no Mundial do Queijo Brasil, levando ao evento 23 produtos desenvolvidos com apoio científico e inovação sensorial. Entre os dias 16 e 19 de abril, em São Paulo, o Biopark, de Toledo, participa ao lado de queijarias do Projeto de Queijos Finos, iniciativa que reúne produtores do Oeste do estado e investe em soluções capazes de provocar novas experiências de sabor, aroma e textura.
Na competição, um dos destaques é o queijo Abapuru, criado pelo Biopark e produzido pela queijaria Flor da Terra. A proposta revisita técnicas tradicionais sob uma abordagem contemporânea, com uso de madeiras aromáticas nativas na maturação. O resultado é um queijo de textura cremosa e perfil sensorial complexo, pensado para consumo ainda jovem, com notas mais sutis e elegantes. A peça pode ser levada ao forno e servida com o interior derretido, ampliando a experiência à mesa.
A presença do Biopark ocorre em um momento de transição para o setor, impulsionado pelo avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia. Com a proteção de Indicações Geográficas, nomes consagrados da tradição europeia passam a ter uso restrito às suas regiões de origem, o que exige dos produtores brasileiros o desenvolvimento de identidades próprias, tanto na nomenclatura quanto na comunicação visual dos produtos.
“Não estamos perdendo nomes clássicos, estamos ganhando o orgulho de batizar nossos próprios ‘filhos’. O clima tropical, nossas bactérias nativas e nossa flora são o que trazem personalidade única aos nossos queijos. É hora de o mundo conhecer o que é legitimamente brasileiro”, afirma Kennidy de Bortoli, queijeiro e pesquisador do Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Queijos Finos (PDI) do Biopark.
Outro foco está no concurso de Melhor Queijeiro do Brasil, título conquistado pelo Biopark na edição anterior. Neste ano, Kennidy de Bortoli se une às pesquisadoras Isabelli Maria Passos de Oliveira e Nayara Leontino Scherpinki para apresentar criações inéditas, incluindo um queijo tricolor com técnica de coloração que simula movimento.
O trio desenvolveu três peças inspiradas na Via Láctea, explorando diferentes estímulos sensoriais. Um dos queijos aposta em impacto visual e sensação térmica contrastante, outro reproduz a estética de uma rocha espacial, com notas minerais e picantes, e o terceiro trabalha o conceito de buraco negro, com casca lavada e efeito visual intensificado quando aquecido.
Além das propostas experimentais, a equipe também revisita métodos tradicionais de conservação utilizados em longos trajetos de transporte, integrando práticas históricas mineiras às tecnologias aplicadas no Paraná. Entre os recursos utilizados está o emprego de cerveja artesanal local, que contribui tanto para a preservação quanto para o desenvolvimento de sabor.
O Projeto de Queijos Finos do Biopark reúne atualmente 29 famílias e se consolidou como referência na produção artesanal de alto valor agregado. Em seis anos, acumulou 72 medalhas e desenvolveu 85 produtos. Entre os reconhecimentos recentes está o queijo Passionata, eleito o melhor da América Latina e um dos nove melhores do mundo no World Cheese Awards 2024, realizado em Portugal.
A iniciativa também avança em escala. Em parceria com o Governo do Paraná, o projeto receberá investimento de R$ 3,8 milhões para expansão a outras regiões do estado, ampliando o acesso à tecnologia e fortalecendo a cadeia produtiva com foco na consolidação do Paraná como polo de queijos finos na América Latina.







