Quem pensa que litoral é só praia vai se surpreender com a coluna de hoje. O litoral do Paraná tem muito mais a oferecer do que areia e água salgada.
Em Curitiba, estamos a poucos quilômetros da maior área contínua de Floresta Atlântica preservada do mundo, a Grande Reserva Mata Atlântica. É um dos biomas com maior diversidade do planeta e também um dos mais ameaçados.
Hoje, as estimativas apontam que restam apenas 12% da cobertura original de Mata Atlântica no Brasil. Seguindo a premissa de conhecer para preservar, eu fui descobrir, com um grupo de criadores de conteúdo e jornalistas, um pouco mais sobre as experiências que podem ser vivenciadas em dois municípios da região: Paranaguá e Pontal do Paraná.
O mangue: entre a terra e o mar
A primeira experiência foi conhecer bem de pertinho um ecossistema de transição entre a terra firme e o mar: o manguezal. Na sede do Litoral Nota Cem, visitamos o Museu Marinho, com mais de 100 espécies encontradas ao longo das praias do litoral paranaense.
Dali, partimos para uma divertida imersão: afundar na lama do mangue.

Acompanhados pelo idealizador do projeto, o biólogo, mestre em zoologia e doutor em meio ambiente e desenvolvimento costeiro José Claro, vivemos uma verdadeira aula prática. Aprendemos que as plantas do mangue se adaptaram para eliminar o excesso de sal. Elas desenvolveram estratégias que vão desde filtros nas raízes até glândulas nas folhas, ajudando na proteção desse berçário marinho que é o mangue.
A experiência de sentir os pés afundando na lama é única. Só não dá pra se apegar ao calçado!

A restinga: muito mais do que o mato da praia.
Depois do almoço, fomos dar uma volta pela praia de Ponta do Sul, mas em vez de olhar para o mar, olhamos para a terra. A área de restinga é o que protege a terra contra o avanço do mar e é considerada Área de Preservação Permanente.
Ela é formada tanto pelas espécies rasteiras, quanto por arbustos e árvores maiores, um pouco mais afastadas do mar, mas que ainda fazem parte desse ecossistema.

Gastronomia do litoral: o ano todo
Claro que em uma viagem, a gastronomia típica é sempre um ponto importante. Aqui o destaque vai para dois locais muito especiais.
Danúbio Azul – tradição em Paranaguá
Restaurante mais antigo da cidade, o Danúbio Azul é sempre uma aposta certa para quem quer comer bem na região. Provamos o Especial da Casa, com carne de siri, peixe à milanesa, peixe grelhado, camarão à milanesa, camarão à grega, camarão ensopado e como acompanhamentos salada, arroz e arroz à grega.
Bistrô Maori – comida caiçara com toque de chef

Essa era a noite que eu mais aguardava: provar a Cambira, prato típico de Pontal do Paraná que eu já ouvi falar muito, mas nunca tive a oportunidade de provar.
A cambira é um peixe salgado e defumado artesanalmente. Pode ser tainha, robalo, anchova ou outro peixe da época. Depois de defumado, ele é cozido com banana e molho de tomate e servido com pirão.
Alguns chamam de bacon do mar e é simplesmente delicioso! Só vá e prove.
Turismo comunitário em Paranaguá: as ilhas que não são ilhas

No dia seguinte, fizemos um passeio com a Lagamar Experiências até algumas comunidades tradicionais em Paranaguá. Chegamos de barco até a Europinha e fizemos uma trilha de 7 km até a Ilha Eufrasina.
Embora sejam chamadas de ilhas, essas comunidades não estão separadas do continente. Porém, o único acesso é pela Baía de Paranaguá. Durante a caminhada, conhecemos espécies da mata atlântica, visitamos famílias que vivem por lá e conhecemos uma fábrica de farinha. Também dá pra tomar banho de rio (se você topar a água gelada) e experimentar a argila cinza da região. Dizem por aí que rejuvenesce!

O turismo comunitário desenvolvido nessas comunidades ajuda a complementar a renda e proporciona uma verdadeira imersão no meio de vida caiçara aos visitantes. Se você não quiser fazer a trilha completa, podem visitar as comunidades de barco e saborear um delicioso almoço caseiro com peixes e até suco de açaí-juçara.
Revoada dos Guarás na canoa havaiana – ponto alto da viagem

Depois da trilha, nos reunimos no centro histórico de Paranaguá, na Paraná Hoe, para remarmos pela baía e acompanhar um dos espetáculos mais lindos do nosso litoral – a revoada dos Guarás.
Essas aves de plumagem vermelha passam o dia pelo mangue se alimentando e ao pôr do sol voam em bando até as ilhas na baía para dormir.
São cenas de tirar o fôlego e um contato tão próximo com a natureza, que emociona. O guará dá nome a duas cidades do litoral paranaense: Guaratuba e Guaraqueçaba. A ave passou cerca de 80 anos longe das nossas baías e por volta de 2008, começaram a voltar aos poucos.
Uma cena pra ficar pra sempre guardada na memória!

*A viagem foi feita a convite da Grande Reserva Mata Atlântica, uma iniciativa voluntária que reúne vários atores, públicos, privados, comunitários e acadêmicos, para promover ações de focadas no turismo de natureza e desenvolvimento regional no maior remanescente de Mata Atlântica do mundo.
Aproveite para conhecer as ações da Grande Reserva aqui: Grande Reserva Mata Atlântica As regiões são divididas por estado, setores e portais. As atividades que fizemos estão no Portal Guaraguaçu.
E aqui estão os links para você programar seu próprio roteiro pelo litoral no inverno, na primavera, no verão ou no outono!
Litoral Nota Cem: Museu Marinho, passeios pelo mangue, ecoturismo e turismo pedagógico
Lagamar experiências: Ecoturismo nas comunidades
Parana Hoe: Canoa havaina na revoada dos guarás
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