Idade não é o único critério para avaliar idoso

A abordagem do envelhecimento mudou drasticamente nos últimos anos. Até algumas décadas atrás recomendava-se repouso e pouca atividade para que o idoso poupasse energia. Hoje é sabido que a atividade física é fundamental para manter a saúde e autonomia de quem avançou na idade.

Essa mudança de paradigma tem chegado aos médicos. O presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia da Regional do Paraná (SBOT-PT), Dr. Thiago Busato, confirma que há um novo perfil de idosos que visita os consultórios. “Hoje recebemos pacientes com 70, 80 anos ou mais que fazem musculação, correm, pedalam, caminham, jogam basquete, têm uma rotina extremamente ativa. São pessoas que investiram e continuam investindo na própria saúde e chegam ao consultório dispostas a não abrir mão dessa vida. Muitas procuram tratamento porque querem continuar fazendo aquilo que gostam”, explica.

Ortopedia e os novos idosos

Essa mudança é particularmente importante para a ortopedia.  De acordo com a SBOT, se antes uma cirurgia ou outro tratamento em idade avançada eram pensados a partir das necessidades básicas de locomoção, hoje é cada vez mais necessário conhecer a rotina e os objetivos do paciente. Assim, o tratamento é diferente para o idoso que pratica um esporte e para aquele que tem dificuldade de ficar em pé sozinho ou andar sem algum tipo de apoio.

”A idade continua sendo uma informação importante, mas precisamos considerar condição física, doenças associadas, mobilidade, saúde óssea e, principalmente, o que aquela pessoa precisa e deseja recuperar”, observa Busato.

O médico afirma que o movimento ou atividade física precisa ser entendido como um investimento para os anos que virão. “Nós estamos vivendo mais, mas a grande questão é como queremos viver esses anos adicionais. Manter força, mobilidade e equilíbrio ajuda a preservar independência e qualidade de vida. É uma construção que começa antes da velhice e que pode continuar mesmo em idades avançadas”, orienta.

Cuidados com quedas

A mudança dos paradigmas a respeito da velhice, não altera uma realidade importante para a população idosa. O Ministério da Saúde estima que aproximadamente 28% das pessoas idosas sofram pelo menos uma queda por ano, o equivalente a cerca de 9 milhões de episódios todo ano no país. Muitas vezes são acidentes causados por motivos banais como o tropeço num tapete ou um escorregão no banheiro. Porém, esses episódios podem ter consequências graves quando ocorrem com alguém que tem fragilidade óssea.

Ainda segundo os dados da SBO, as fraturas que mais preocupam são as de quadril, punho, coluna e da região próxima ao ombro.  A fratura do quadril merece atenção especial porque pode exigir cirurgia, hospitalização e um processo de recuperação que, além de retomar a capacidade de caminhar do idoso, visa também o tratamento do osso.

Autonomia

“Envelhecer bem não significa necessariamente correr uma maratona aos 80 anos. Para uma pessoa pode ser continuar jogando tênis, para outra, ir ao mercado sozinha, subir uma escada ou brincar com os netos. O que mudou é que não devemos definir previamente o que alguém pode ou não fazer apenas pela idade. Nosso papel é entender aquele paciente e ajudá-lo a permanecer em movimento com segurança”, conclui Busato.

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 1 de outubro como o Dia Internacional da Pessoa Idosa e a Sociedade Brasileira de Ortopedia  fez uma ação de esclarecimento da população a respeito das particularidades dos idosos. Segundo a instituição, além da preservação de quedas, viver mais também amplia a importância de cuidar da mobilidade, da força e da saúde musculoesquelética para que os anos adicionais sejam vividos com o máximo possível de autonomia.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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