A importância do voto dos mais velhos

As eleições deste ano estão chegando e prometem dias animados, com fortes emoções para quem está disposto a acompanhar a realização do pleito.

Os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral revelam uma mudança no perfil do eleitor brasileiro. Uma análise por faixa etária mostra um eleitorado mais concentrado nas idades adultas e com um crescimento mais concentrado nas faixas mais velhas.

Nestas eleições o maior grupo de eleitores é o da faixa de 40 a 44 anos, com 15.994.391 pessoas, ou 10.8% do eleitorado do país. Em seguida estão as faixas entre 45 e 49 anos, com 15.271.754 eleitores; 35 a 39 anos, com 15.262.815; 30 a 34 anos, com 15.178.204; e de 25 a 29 anos, com 14.990.259 eleitores.

As pessoas com 60 anos ou mais passaram de 32.891.438, nas últimas eleições gerais em 2022, para 37.457.537 neste ano. Esse grupo representa atualmente 23,6% dos eleitores. É o maior índice dessa faixa etária da história do país. Em 2010, eram 15,3% dos votantes e nas últimas eleições em 2022, chegou a 21%.

Entre os eleitores mais jovens, com 18 anos ou menos, o cadastro das Eleições 2026 do TSE reúne 3.571.159 pessoas, o equivalente a 2,25% do eleitorado nacional. O número ficou praticamente estável em relação às Eleições Gerais de 2022, quando eram 4.177.627 jovens nessa faixa, queda de 606.468 registros, segundo o TSE. O Nordeste concentra o maior número de eleitores jovens até 18 anos, seguido pelo Sudeste, Norte, Sul e Centro Oeste.

Resta saber se, e como, essa característica do eleitorado vai pesar no resultado das eleições. O ideal seria que o eleitor atentasse para propostas que atendessem às necessidades da população em geral e aos idosos em particular. Assuntos como a reforma do Sistema Previdenciário e a manutenção do Sistema Único de Saúde deveriam ser prioridades.

Afinal, é preciso considerar que envelhecer de forma digna não deve ser um privilégio apenas de quem pôde contar com estabilidade financeira ao longo da vida ou tem uma rede de apoio.  É preciso que o cidadão comum, mesmo aquele mais frágil possa contar uma rede pública de apoio para enfrentar a velhice.

Nesta etapa da vida, mais do que em qualquer outra, não dá para ficar à mercê das leis do mercado, porque este só está em busca de clientes que possam pagar pelos serviços. Pagamos impostos demais para não ter nada em troca.

Minha torcida é que a bobagem das “pautas de costumes” e a relação indecorosa de religião e política não ganhem mais espaço do que já têm. Essa promiscuidade de temas só faz bem a quem transformou a política em profissão e ferramenta de manipulação.

É preciso que esse eleitor maduro seja também mais sóbrio e escolha o melhor projeto para os jovens e idosos do país. Como muita gente envelhece, mas não adquire sabedoria, vamos nos preparar para os dias difíceis que devem surgir nos próximos meses. Eu já vou deixando de seguir perfis nas redes sociais que falem muita besteira. É a defesa que me resta.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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