Para os antigos gregos, somente os deuses e heróis obedeciam às leis do Destino. Ao homem cabia o papel tão somente de viver. Felizmente evoluímos e desenvolvemos uma outra noção de existência que transcende essa visão pouco nobre do ser humano. Encontramos novos significados e motivações para nos guiar. Mesmo, sem fatos extraordinários, ou a intervenção do divino, aprendemos que a vida merece reflexão e cuidado.
Apesar dos pesares, a sociedade está dando alguns passos nessa direção. A NR1 está entrando em vigor, exigindo que as empresas atentem para as condições de saúde mental no ambiente de trabalho. Se não ficar apenas nas boas intenções será um avanço.
Além do ambiente corporativo, problemas, medos e frustrações que se multiplicam em nosso dia a dia também exigem atenção. Precisam ser digeridos, resolvidos. E isso fica mais evidente com o envelhecimento. Só assim é possível que viver a maturidade seja uma tarefa mais leve, sem o amargor de ressentimentos.
Os especialistas afirmam que ter uma boa vida emocional, dentro do possível, é fundamental para a saúde de quem envelhece. É assim que teremos família e amigos por perto. Esse bem estar é construído com o tempo. Algumas pessoas são iluminadas e desenvolvem essa capacidade sozinhas. Outras precisam de mais empenho e até ajuda profissional para se entenderem.
A psicoterapia é um caminho importante nessa jornada e uma ferramenta que pode nos ajudar a fazer pequenos consertos em nosso comportamento rotineiro. Para quem ainda acha que a prática não funciona, ou só é indicada para os “fracos”, sugiro que assistam à série Sessão de Terapia (Globo Play). Ainda que seja uma obra de ficção, há muito o que observar e aprender.
A série, em sua temporada 5, apresentou casos diversos que vão desde um motoboy que lida com uma vida de riscos nas ruas de São Paulo, até uma jovem que enfrenta a obesidade, uma mãe que rejeita a filha e uma enfermeira que não superou os traumas da epidemia de Covid 19.
É comum, em alguns episódios, o paciente questionar a eficácia do método ou enfrentar o terapeuta como forma de esconder suas fragilidades. Isso acontece também na vida real. Mais do que o drama de cada personagem, a série mostra como alguns gatilhos podem detonar comportamentos autodestrutivos. É um bom exercício para entender como a psicoterapia pode ajudar a tratar problemas como a ansiedade, compulsão e depressão.
O que fica evidente é que a psicoterapia só funciona quando a pessoa se desarma de suas resistências e se mostra disposto a identificar suas limitações, buscando seu autoconhecimento. Afinal, o termo Therapeia significa “o ato de curar, de restabelecer”. Sendo assim, fazer terapia é uma forma de zelar pela própria saúde mental e bem estar. Vale lembrar que a escolha do terapeuta exige um cuidado especial. Além de capacidade profissional, empatia também conta.
Assim como no filme Malpertuis, do diretor Harry Kümel, que coloca deuses do Olimpo lidando com problemas bem humanos, quem sabe o paciente da terapia pode descobrir o seu destino e alterá-lo. Fica a sugestão.





