Por Simone Meirelles, editora do Comer e Curtir
Conhecer Minas Gerais foi inspirador. Estive no estado pela primeira vez na última semana e tive a sorte de visitar lugares que me deram uma nova forma de olhar a história e a cultura do nosso país. A proposta da viagem, realizada pelo Instituto Mundu, era conhecer destinos e experiências ligadas ao patrimônio histórico, à gastronomia, ao turismo de natureza e à cultura mineira. Por isso o nome do projeto: Minas Inédita.
O roteiro ganhou nome de Ouro e Sabores, percorrendo distritos próximos a Belo Horizonte. Quem vê assim pode pensar: nossa, mas esse tour não tem nenhuma das grandes cidades históricas… mas vejam, essas localidades têm sua própria história e lugares encantadores. Posso garantir: uma das melhores viagens da minha vida! Confira o que encontrei de melhor em cada lugar.
Acuruí (Itabirito): Distrito localizado na Serra do Gandarela e na antiga Estrada Real,. Conhecemos a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do século XVIII, e até toquei o sino! Na Ecopousada Serra Verde, tivemos um autêntico café da manhã mineiro, com o tradicional pastel de angu (patrimônio imaterial de Itabirito). Como não poderia deixar se ser, muita fatura e variedade.


Fizemos uma trilha breve até três lindas cachoeiras – Cascalho, Carranca e Cruzado, onde inclusive é possível nadar. Depois fomos visitar a Vila Moura Olival, que produz azeite extravirgem de forma artesanal e inclui pousada. Almoçamos ali mesmo, bife ancho grelhado com nhoque ao molho de queijos. Visitamos os quartos e casas da propriedade, que permitem hospedagem com uma elegância rústica.




Glaura (Ouro Preto): Um dos distritos mais antigos de Ouro Preto. Ali passamos pela feirinha local, com queijos e geleias. O melhor “achado” foi conhecer D. Maria Marta, que há 50 anos faz sucesso servindo um delicioso rolinho crocante recheado com doce de cidra e doce de leite. O preparo ajudou a confeiteira a criar os quatro filhos e fez história na região. É daquelas narrativas que encantam. Também no distrito, a vinícola Quinta de Glaura recebe visitantes para conhecer o parreiral e provar os vinhos numa degustação guiada.



São Bartolomeu – Um daqueles lugares que parecem ter parado no tempo. O casario bem conservado é uma lindeza. Entre as tradições locais está a produção da goiabada cascão, patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto. Ali conhecemos Vicente Fortes, o Tijolo, 91 anos, referência nos doces. Provamos a goiabada, o doce de leite, a rapadura, a casca de laranja com chocolate, tudo muito saboroso.
Almoçamos costelinha de porco com molho de goiabada no restaurante Pau a Pique, que também serve língua recheada e um buffet variado no fogão à lenha. De tarde, fomos conhecer a cachoeira de São Bartolomeu, lindíssima, no fim de trilha de 10 minutos de caminhada.



Lavras Novas (Ouro Preto). Distrito turístico fervilhante, cheio de restaurantes e bares com mesas nas calçadas. Antigo quilombo, conserva o casario antigo, tem ótimas pousadas, trilhas e cachoeiras. Ali tivemos uma ótima refeição bem mineira, no restaurante Pimenta Rosa, com direito a feijão tropeiro e frango com quiabo. A vista do local já vale a visita. Mas há também a igreja do século XVIII , nas cores branco, azul e rosa, construída no século XVIII . A região tem mirantes e trilhas para cachoeiras.
No jantar, provamos os pratos do Lucille, restaurante de cozinha internacional, com pratos como o saboroso bolinho de joelho de porco, a panturrilha de porco e o bacalhau com mousseline de batatas e azeite de laranja. A sobremesa foi chocolate quente na chocolateria Botânico. Para a hospedagem, ficamos na pousada Kokopelli, muito acolhedora, em que cada quarto tem uma decoração e inspiração diferentes. Faz bastante frio na região, recomendo casacos e agasalhos como em Curitiba.


Chapada (Ouro Preto): Pequeno vilarejo de casario preservado, próximo a Lavras Novas. Passamos rapidamente, mas vimos a linda Capela de Sant’Ana, em frente à praça enfeitada para as festas juninas.

Bichinho (Prados): O distrito tem nome de Vitoriano Veloso, mas é conhecido como Bichinho. Visitamos a Oficina de Agosto, atelier do artista plástico Toti, que praticamente mudou a vida da comunidade, há 40 anos, ao oferecer empregos e arte. Hoje Bichinho tem inúmeras lojas de artesanato, queijarias, cachaçarias e bons restaurantes, como o Tempero da Angela, que serve a autêntica comida mineira em fogão a lenha. Vale muito a visita!.

D. Angela do Tempero da Angela (foto André Frade)


Em resumo, essa Minas inédita encanta e cativa, foge dos roteiros comuns e leva o visitante a um mergulho pelas raízes do Brasil. Recomendo a quem quer fugir do comum numa viagem inesquecível!
- A jornalista viajou a convite do Instituto Mundu.
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