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Minas inédita: um mergulho na gastronomia e cultura mineiras

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Por Simone Meirelles, editora do Comer e Curtir

Conhecer Minas Gerais foi inspirador. Estive no estado pela primeira vez na última semana e tive a sorte de visitar lugares que me deram uma nova forma de olhar a história e a cultura do nosso país. A proposta da viagem, realizada pelo Instituto Mundu, era conhecer destinos e experiências ligadas ao patrimônio histórico, à gastronomia, ao turismo de natureza e à cultura mineira. Por isso o nome do projeto: Minas Inédita.

O roteiro ganhou nome de Ouro e Sabores, percorrendo distritos próximos a Belo Horizonte. Quem vê assim pode pensar: nossa, mas esse tour não tem nenhuma das grandes cidades históricas… mas vejam, essas localidades têm sua própria história e lugares encantadores. Posso garantir: uma das melhores viagens da minha vida! Confira o que encontrei de melhor em cada lugar.

Acuruí (Itabirito): Distrito localizado na Serra do Gandarela e na antiga Estrada Real,. Conhecemos a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do século XVIII, e até toquei o sino! Na Ecopousada Serra Verde, tivemos um autêntico café da manhã mineiro, com o tradicional pastel de angu (patrimônio imaterial de Itabirito). Como não poderia deixar se ser, muita fatura e variedade.

Igreja de Acuruí , datada de 1718 (foto André Frade)
Cachoeira na serra do Gandarela (foto André Frade)

Fizemos uma trilha breve até três lindas cachoeiras – Cascalho, Carranca e Cruzado, onde inclusive é possível nadar.  Depois fomos visitar a Vila Moura Olival, que produz azeite extravirgem de forma artesanal e inclui pousada. Almoçamos ali mesmo, bife ancho grelhado com nhoque ao molho de queijos. Visitamos os quartos e casas da propriedade, que permitem hospedagem com uma elegância rústica.

Visita ao Vila Moura Olival (foto André Frade)
Café da manhã na EcoPousada em Acuruí (foto SM)
Pastel de Angu (foto SM)
Tocando o sino em Acuruí (foto André Frade)

Glaura (Ouro Preto): Um dos distritos mais antigos de Ouro Preto. Ali passamos pela feirinha local, com queijos e geleias. O melhor “achado” foi conhecer D. Maria Marta, que há 50 anos faz sucesso servindo um delicioso rolinho crocante recheado com doce de cidra e doce de leite. O preparo ajudou a confeiteira a criar os quatro filhos e fez história na região.  É daquelas narrativas que encantam. Também no distrito, a vinícola Quinta de Glaura recebe visitantes para conhecer o parreiral e provar os vinhos numa degustação guiada.

Dona Maria Marta (foto André Frade)
Canudinhos da Maria Marta (foto André Frade)
Igreja de Glaura (foto André Frade)

São Bartolomeu – Um daqueles lugares que parecem ter parado no tempo. O casario bem conservado é uma lindeza.  Entre as tradições locais está a produção da goiabada cascão, patrimônio cultural imaterial de Ouro Preto. Ali conhecemos Vicente Fortes, o Tijolo, 91 anos, referência nos doces.  Provamos a goiabada, o doce de leite, a rapadura, a casca de laranja com chocolate, tudo muito saboroso.

Almoçamos costelinha de porco com molho de goiabada no restaurante Pau a Pique, que também serve língua recheada e um buffet variado no fogão à lenha. De tarde, fomos conhecer a cachoeira de São Bartolomeu, lindíssima, no fim de trilha de 10 minutos de caminhada.

Seu Tijolo em sua loja em São Bartolomeu (foto SM)
São Bartolomeu (foto SM)
Costelinha com molho de goiabada (foto SM)

Lavras Novas (Ouro Preto). Distrito turístico fervilhante, cheio de restaurantes e bares com mesas nas calçadas.  Antigo quilombo, conserva o casario antigo, tem ótimas pousadas, trilhas e cachoeiras. Ali tivemos uma ótima refeição bem mineira, no restaurante Pimenta Rosa, com direito a feijão tropeiro e frango com quiabo. A vista do local já vale a visita. Mas há também a igreja do século XVIII , nas cores branco, azul e rosa, construída no século XVIII . A região tem mirantes e trilhas para cachoeiras.

No jantar, provamos os pratos do Lucille, restaurante de cozinha internacional, com pratos como o saboroso bolinho de joelho de porco, a panturrilha de porco e o bacalhau com mousseline de batatas e azeite de laranja. A sobremesa foi chocolate quente na chocolateria Botânico.  Para a hospedagem, ficamos na pousada Kokopelli, muito acolhedora, em que cada quarto tem uma decoração e inspiração diferentes. Faz bastante frio na região, recomendo casacos e agasalhos como em Curitiba.

Igreja de Lavras Novas (foto SM)
1 Lavras Novas Divulgação_Secult_Codenge_André Frade )

Chapada (Ouro Preto): Pequeno vilarejo de casario preservado, próximo a Lavras Novas. Passamos rapidamente, mas vimos a linda Capela de Sant’Ana, em frente à praça enfeitada para as festas juninas.

Igreja de Chapada (foto André Frade)

Bichinho (Prados): O distrito tem nome de Vitoriano Veloso, mas é conhecido como Bichinho. Visitamos a Oficina de Agosto, atelier do artista plástico Toti, que praticamente mudou a vida da comunidade, há 40 anos, ao oferecer empregos e arte.  Hoje Bichinho tem inúmeras lojas de artesanato, queijarias, cachaçarias e bons restaurantes, como o Tempero da Angela, que serve a autêntica comida mineira em fogão a lenha. Vale muito a visita!.

D. Angela do Tempero da Angela (foto André Frade)

Frango com Quibo da D. Angela (foto André Frade)
Oficina de Agosto (foto SM)

Em resumo, essa Minas inédita encanta e cativa, foge dos roteiros comuns e leva o visitante a um mergulho pelas raízes do Brasil.  Recomendo a quem quer fugir do comum numa viagem inesquecível!

  • A jornalista viajou a convite do Instituto Mundu. 

Leia mais sobre Minas Gerais e viagens aqui. 

Veja aqui no Instagram vídeos sobre essa experiência em Minas Inédita.

 

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