Quando comecei a fazer Yoga minha maior preocupação foi tornar rotineira uma prática que melhorasse meu condicionamento físico. Ao longo das aulas percebi que o Yoga trabalha grupos musculares que, normalmente, são negligenciados por outros exercícios físicos. Alguns asanas (posições) são um desafio, exigindo não só força muscular, como também equilíbrio.
É muito bom quando descubro mais (possíveis) vantagens dessa prática. Recentemente li na BBC News a notícia de que o “agachamento asiático” é fundamental para a saúde, principalmente para manter a mobilidade com o avanço da idade. Esta posição tão comum nos países da Ásia ainda é pouco adotada no Ocidente. No Swasthya Yoga, linhagem que eu pratico, há diversos asanas que exigem o agachamento e a permanência na posição por algum tempo. Agora, ao menos para mim, essas posições ganharam uma atenção especial.
Em muitos países do Oriente a posição de agachamento profundo, de cócoras, é usada como descanso ou relaxamento. A pessoa se abaixa até dobrar totalmente os joelhos, mantendo-os voltados para fora, com os pés afastados, o tronco ereto e a parte de trás das coxas apoiada sobre as panturrilhas.
Apesar da denominação “agachamento asiático”, a posição pode ser observada em diversas partes do mundo. Os fisioterapeutas dizem que ela exige maior mobilidade dos quadris, joelhos e tornozelos. Além disso, mobiliza mais partes do corpo do que o agachamento convencional.
Os fisioterapeutas afirmam que é justamente esse alongamento mais amplo que ajuda a aumentar a mobilidade e a flexibilidade do corpo, além de reduzir as dores nas costas. Crianças naturalmente têm maior facilidade de se manterem nessa posição, mas os adultos nem tanto. E isso tem uma razão simples: a falta de hábito. A maioria das pessoas raramente fica agachada por muito tempo e isso vai diminuindo a mobilidade e a força do indivíduo. Na Ásia, ficar agachado ainda é um hábito comum. Em alguns países existem vasos sanitários em que é preciso ficar de cócoras. Ao usar esse equipamento diariamente, a pessoa vai mantendo a capacidade de ficar de agachar.
Para quem deseja tentar fazer a posição, é bom observar a regra de não forçar o corpo além de seu limite. Deve-se ir aos poucos, usando algum apoio no início. Vale lembrar que a mobilidade nas articulações, coluna, quadris e tornozelos diminui com o tempo, por isso pessoas maduras devem ter cautela. Além disso, não existe uma forma ideal de fazer o movimento até chegar ao agachamento profundo, ele é diferente para cada pessoa.
Alguns fisioterapeutas dizem que a questão mais importante não é ficar com os quadris a poucos centímetros do chão, mas preservar a capacidade de se movimentar de forma independente ao longo da vida.
Ressalta-se ainda que não existem estudos que confirmem os efeitos ou benefícios de longo prazo do agachamento profundo praticado diariamente por períodos prolongados. No entanto, se com a sua prática o indivíduo conseguir maior controle sobre o corpo e fortalecer a musculatura de suas pernas, já é um bom caminho.





