Os números do envelhecimento no Brasil.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na semana passada novos números que confirmam o envelhecimento do país. A população com 60 anos ou mais teve alta de 58,7%, nos últimos 13 anos. O número de idosos saiu de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025.
Outra informação importante é que a população com menos de 30 anos teve uma queda de 10,4%, entre 2012 e 2025. O contingente recuou de 98,2 milhões para 88 milhões. Com isso, o grupo passou a representar 41,4% da população. Já os idosos subiram para 16,6% do total de habitantes do país.
Resumindo a história: é muita gente que vai precisar de uma infraestrutura para dar suporte à velhice. Isso quer dizer, instituições de saúde que deem a devida importância aos idosos e suas enfermidades. Mais que isso, a sociedade precisa rever seus conceitos sobre o “idoso”. Não se trata de considerar a velhice como a “sétima maravilha do mundo”, mas é preciso um esforço conjunto para que o idoso mantenha sua dignidade.
Além de mostrar um país mais velho, o IBGE também identificou que a população que mora sozinha mais que dobrou no Brasil, desde 2012. Saiu de 7,5 milhões para 15,6 milhões, uma alta de 109,8% no período. Em 2025, os lares unipessoais representaram 19,7% do total de domicílios do país.
A pesquisa do IBGE não pergunta o que leva uma pessoa a morar sozinha, mas a pesquisa indica que o processo de envelhecimento é um dos fatores que podem explicar essa mudança. Pessoas com 60 anos ou mais ocupavam 41,2% dos domicílios unipessoais no ano passado.
O Rio de Janeiro é o estado com maior proporção de lares unipessoais de 2025 (23,5%). Em seguida vem Bahia (22,3%) e Rio Grande do Sul (21,9%). A mulheres correspondiam a 51,2% da população total do país no ano passado, contra 48,8% de homens. Mas quando se analisa os lares unipessoais os números se invertem. Os homens ocupam 54,9% desses domicílios e as mulheres 45,1%.
Assim, os números do IBGE vão mostrando a dinâmica da população brasileira. O avanço do porcentual de lares unipessoais indica que muita gente está morando sozinho por não ter mais a responsabilidade de criar filhos, pela perda ou falta de um cônjuge ou por ter encontrado novas formas de relacionamento que não exigem a divisão do mesmo espaço.
É aqui que eu identifico uma nova necessidade, a de a pessoa que vive sozinha (em qualquer idade) criar ou desenvolver uma rede de apoio para ter suporte quando precisar. A sociedade brasileira caminha para uma “digitalização” da vida. Tudo o que fazemos trafega pelas redes, aplicativos, sites e todas as ferramentas que pululam a cada dia. Encontros e conversas estão rareando.
Não sou um ludita, mas tudo tem limite nessa vida. Não há como ter uma rede de apoio apenas virtual. Há momentos que precisamos do velho contato físico, do olho no olho. Nenhuma IA vai te fazer companhia num leito de hospital ou rir com você das velhas histórias da adolescência. É por isso que, morando sozinho ou não, temos que investir em nossa rede de contatos, ampliá-la sempre que possível, e também oferecer nosso apoio para quem precisa. É isso o que nos faz humanos. É isso que faz a vida valer a pena.
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