Datas comemorativas geralmente são criadas para lembrar um fato ou para lançar luzes sobre um tema do nosso cotidiano que merece atenção. No mês passado, mais precisamente no dia 15 de junho, passamos por mais um Dia Mundial de Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011. E se existe é porque, infelizmente, a violência contra essa população faz parte da nossa realidade.
Somente em Curitiba, o Departamento de Políticas para a Pessoa Idosa, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), identificou um crescimento de 37% no número de ocorrências entre 2022 e 2025. As notificações tratam de casos de negligência e violências física, patrimonial, psicológica e emocional.
A chefe do Departamento de Políticas para a pessoa Idosa da SMDH, Luciana de Faria, afirma que as pessoas 60+ também são vítimas de violências “silenciosas” como o abuso financeiro. Uma das maiores dificuldades é justamente identificar esse tipo de violação, já que as vítimas relutam em fazer denúncias por vergonha ou medo. Muitas vezes o agressor é alguém próximo ou um familiar, o que torna a situação ainda mais complexa.
O que se nota é que o rendimento dos idosos tem se tornado parte importante da renda de algumas famílias. Isso desperta o interesse de quem está à volta. Esse fato, combinado a uma convivência difícil, pode desencadear uma série de violências contra os mais velhos.
A primeira delas é a exploração ou uso inadequado desses recursos financeiros por um familiar ou pessoa próxima. Em seguida vem a violência patrimonial, com práticas como alterações em testamento ou a venda de bens sem o consentimento do proprietário.
Uma das manifestações mais revoltantes dessa violência é a negligência ou abandono do idoso. Não raro, os serviços sociais do município identificam casos de familiares que não prestam os cuidados mínimos a seus idosos, agravando o estado de saúde dessas pessoas. O problema não ocorre apenas na capital paranaense, mas se alastra por todo o país e já se tornou um importante problema de saúde pública e social.
Uma sociedade civilizada pressupõe que todos os seus membros, independentemente de idade ou classe social, tenham sua dignidade assegurada. Assim como o abandono de uma criança, a negligência com os idosos é problema de todos. Ninguém está 100% livre de ser vítima desse tipo de violência, sobretudo quando perde a autonomia e fica dependente do cuidado de terceiros.
Hoje em dia, as discussões a respeito de um bom envelhecimento giram em torno de que a pessoa idosa preserve condições mínimas de saúde, física e mental, para continuar realizando atividades do cotidiano como caminhar, ir ao banheiro ou ao supermercado. Assim, diminui as chances de ser explorado de alguma forma. Por isso o cuidado com a própria saúde é tão importante. Além disso, ter uma rede de apoio (familiares e amigos) é relevante, desde que seja uma relação baseada na afetividade e no respeito.
É bom lembrar que cada um de nós pode colaborar para diminuir o número de casos de violência contra idosos. Primeiramente, preparando-se para a velhice e facilitando a convivência com quem está ao nosso redor. Em segundo lugar, denunciando os casos de abuso. Há vários serviços que recebem denúncias de violência contra o idoso como a Central da Prefeitura de Curitiba de Curitiba (156), o Disque-Idoso (0800-410001), o Conselho Estadual dos Direitos dos Idosos (41-3210-2415), o Ministério Público (41-3250-4883) e a Polícia Militar (190). Esses canais devem atuar quando a família e a sociedade falham.





