| Por muito tempo, passar dos 60 ou 70 anos significava não somente ter sobrevivido às intempéries da vida, como também marcava o momento da tão esperada aposentadoria.
Porém, o mundo mudou. E essas transformações alteraram a maneira como vemos os 60+ ou 70+. Sem dúvida essa mudança vem embalada com o aumento da expectativa de vida no Brasil. O país registra a maior marca na série histórica registrada pelo IBGE, 79,9 anos para as mulheres e 73,3 anos para os homens). A população brasileira acima dos 65 anos já representa 10,9% do total geral.
Uma boa parte desse segmento da população segue ativa, seja pelo fato de a aposentadoria ser insuficiente para sua sobrevivência, seja porque as pessoas continuam a trabalhar por realização pessoal
Segundo dados do Sebrae, mais de 13% dos empreendedores brasileiros estão na faixa etária acima dos 55 anos. Muitos desses empreendimentos foram iniciados por aposentados ou após os 60 anos. O Sebrae registra 4,5 milhões de empreendedores com 60 anos ou mais no país, número 58,6% maior que o registrado em 2012.
O empreendedorismo após os 60 anos é também uma alternativa para que muita gente se mantenha social e economicamente ativa, conseguindo uma satisfação pessoal e um senso renovado de propósito na vida. É também uma forma de manter sua autonomia.
Um exemplo dessa tendência é Sheila Rigler. Há 31 anos ela se aposentou do trabalho como servidora municipal e, como nem imaginava ficar em casa, fundou a Par Ideal (www.parideal.com.br), hoje a maior agência física de namoro e casamento do Brasil.
“Sempre trabalhei com pessoas e queria me manter em contato com o público. Passar dos 70 anos trabalhando, produzindo e realizando sonhos é algo que me dá muito orgulho. O trabalho me mantém ativa, motivada e conectada com as pessoas”, conta Sheila.
Formada em Pedagogia, com especialização em psicomotricidade e afetividade, analista comportamental, formada pelo Behavioral Coaching Institute, Sheila também é autora do livro “Histórias de uma Agência de Casamento… Que Não Deram Certo”.
“Nunca senti preconceito por empreender após os 60 anos. Hoje as mulheres dessa faixa de idade continuam ativas, são joviais e trabalham. A maioria só deixa o mercado de trabalho ao atingir os 70 anos”, observa Sheila.
Um dos segredos para continuar na ativa, segundo a empresária, é manter-se em dia com as novidades do mercado. Sheila conta que faz cursos frequentes e participa de grupos de mulheres empreendedoras para se manter atualizada.
Ela aconselha que as pessoas não deixem a idade limitar seus projetos. Porém, Sheila alerta que é preciso cautela. “Empreender exige coragem, atualização constante e, principalmente, propósito. É importante procurar algo que realmente faça sentido, que traga satisfação pessoal e permita compartilhar a experiência de vida acumulada ao longo dos anos”, orienta a empresária.
Dos 4,5 milhões de donos de negócios seniores no Brasil, 70% são liderados por homens e apenas 30% por mulheres. Sheila acredita que a representação feminina poderia ser muito maior, colocando sua própria experiência como incentivo. “As mulheres têm uma capacidade enorme de liderança, sensibilidade e adaptação. Nunca é tarde para começar um novo projeto ou transformar um talento em negócio”, conclui a empresária. |