Viver Melhor 60+: Caminhar é um “santo remédio”

Atividade física é fundamental para manter a saúde. Ninguém questiona esse argumento. Mas daí a incluir uma atividade física na rotina diária, são outros quinhentos.  Sempre há uma desculpa mais forte para ficar acomodado. A pessoa pode gastar duas horas no Instagram, vendo receitas que nunca vai fazer ou vídeos banais, mas não encontra 15 minutos para fazer uma caminhada.

Você acha 15 minutos pouco tempo? Eu também achava. Pois saiba que é melhor caminhar pouco e sempre, do que nunca andar. Na última consulta que fiz com um médico, ele sugeriu exatamente isso. O conselho foi claro: caminhe TODOS os dias, nem que seja por 15 minutos.

Ele me disse que os médicos são unânimes em afirmar, hoje em dia, que a frequência de uma atividade física é tão importante quanto o tempo dedicado aos exercícios. Então, a ideia é começar aos poucos e ir aumentando o tempo dedicado às caminhadas. É a forma mais fácil de melhorar nossa capacidade respiratória e a musculatura das pernas.

Essa mudança de mentalidade é geral. O dr. Dráuzio Varella informa, em sua coluna, que a revista inglesa The Lancet publicou uma metanálise (análise conjunta de vários estudos) que explorou a relação entre o número de passos diários e uma diversidade de problemas de saúde: mortalidade geral, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, transtornos cognitivos, saúde mental, funções físicas e o número de quedas sofridas.

Foram analisados 37 estudos realizados em vários países, entre janeiro de 2014 e fevereiro de 2025. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que quanto maior a média de passos diários, menor é o número de eventos como sintomas depressivos, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demências e quedas.

Para quem ainda não se convenceu, vamos a mais alguns números desse estudo. Comparados com aqueles que deram, em média, dois mil passos/dia, os que conseguiram chegar aos 7 mil passos apresentaram redução de 47% na mortalidade por qualquer causa, de 25% na incidência de doenças cardiovasculares, de 37% na mortalidade por câncer e de 14% na incidência de diabetes tipo 2. A redução também chegou a 38% no risco de demências, 22% no risco de quadros depressivos e 28% no de quedas.

Esse estudo revelou que mesmo uma atividade física não muito intensa traz benefícios. Um exemplo, o aumento de 2 mil para 4 mil passos/dia diminui a mortalidade geral em 36%. Esse ganho é ainda maior para quem atinge os 7 mil passos/dia.

Então, o jeito é largar da vida digital, dar um tempo nas atividades rotineiras e achar um momento para uma caminhada. Basta dar algumas voltas no quarteirão e bater a sua meta pessoal. A melhor forma de progredir é não se comparar com outras pessoas que estão há mais tempo fazendo alguma atividade. Mas comparar-se consigo mesmo. Vai ser muito mais estimulante você perceber que não andava 100 metros e, aos poucos, chegou a um km.  Comece o quanto antes.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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