Iron Lung (2026) aposta no medo do desconhecido

A adaptação do jogo Iron Lung para o cinema parte de uma proposta muito comum, mas de uma forma peculiar. Em vez de expandir o universo original com novos cenários ou personagens, o filme aposta justamente no que tornou o jogo tão marcante: a limitação, o silêncio e a sensação constante de que algo pode estar à espreita.

Dirigido e protagonizado por Markiplier, fã declarado do jogo criado por David Szymanski, o projeto nasce de uma relação evidente de admiração com o material original. Essa proximidade aparece na forma como o filme tenta preservar a experiência claustrofóbica do jogo, mantendo o foco em um espaço restrito e em uma narrativa que se constrói mais pela atmosfera do que pela explicação.

Grande parte da história se passa dentro de um submarino improvisado que mergulha em um oceano de sangue. O ambiente é fechado, quase sufocante, e o espectador acompanha o protagonista com as mesmas limitações de informação. O que existe fora daquele espaço permanece, na maior parte do tempo, invisível.

É justamente nesse vazio que o terror do filme se constrói. Em vez de recorrer a sustos frequentes ou revelações grandiosas, a narrativa aposta na tensão gradual. O medo nasce da espera, da dúvida e da possibilidade constante de que algo esteja ali fora, escondido. Há também a visão de quem se coloca, com empatia, no lugar do prisioneiro (personagem principal do longa).

A origem nos videogames também aparece na estrutura do filme. Em alguns momentos, a progressão da história lembra a lógica de um gameplay, em que cada nova descoberta funciona quase como uma etapa da jornada. Para alguns espectadores, isso pode parecer repetitivo. Para outros, é justamente o que mantém a essência do jogo intacta.

No fim, Iron Lung funciona melhor quando aceita sua própria natureza. Em vez de tentar se tornar um grande terror convencional, apesar ainda do baixo orçamento para um longa, o filme assume o formato de uma experiência curta, estranha e sensorial. Um mergulho desconfortável no desconhecido.

Avaliação: ⭐⭐

Assista ao trailer:

Leia mais sobre filmes na coluna Entre Cenas aqui.

ENTRE
CENAS

Heloísa Ribas é jornalista e pós-graduada em Audiovisual. Apaixonada por cinema desde muito cedo, começou a estudar de forma mais aprofundada aos 16 anos, quando fez seu primeiro curso de áudio para cinema. Em sua coluna Entre Cenas, analisa tudo que faz o cinema nos transportar para dentro da sala. Com olhar crítico e sensível, convida o leitor a descobrir o cinema de um jeito novo a cada texto.

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

PUBLICIDADEspot_img
PUBLICIDADEspot_img

Leia também

PUBLICIDADEspot_img

Compartilhe