Sempre gostei de ler. Descobri o mundo da leitura aos nove anos, conduzido por José Mauro de Vasconcelos, com “Meu Pé de Laranja Lima”. Aos poucos fui tomando contato com outros autores. Tive a fase da coleção “Vagalume”, dos autores nacionais (Monteiro Lobato, José de Alencar, Érico Veríssimo, Machado de Assis, José Lins do Rego), até chegar às obras universais (Divina Comédia, Dom Quixote, Mobi Dick).
Era um leitor assíduo, mas sem entender direito a dimensão de muitas dessas obras. Lia porque gostava de histórias. Porém, nunca mais deixei de ter um livro como companhia, às vezes dois ao mesmo tempo.
Com a vida adulta, e o trabalho, o ritmo das leituras diminuiu, mas foi mantido. Hoje é mais que um hábito, é um recurso para aliviar o estresse. Acho que foi uma herança do meu pai, que era fissurado em jornais e revistas. Não à toa uma de suas maiores tristezas foi a perda paulatina da visão, consequência do Diabetes. Mesmo com os tratamentos, à época, meu pai foi deixando de ler e isso o deixou muito incomodado. Creio que ele tenha iniciado um processo de depressão por causa dessa condição, já que a leitura era um de seus maiores prazeres. O que lhe restou foi ver ou “ouvir” televisão.
Voltando aos livros. Hoje percebo que tenho na leitura uma poderosa válvula de escape. Mas não é a única. O desenho, mais recentemente, passou a fazer parte das minhas horas de lazer. Comecei tarde, aos 50 anos, não sou e nem pretendo ser um artista. Como admiro as artes plásticas, resolvi me aventurar nesse campo. Fui atrás de informação.
Um novo hobby
Comecei lendo a respeito dos movimentos artísticos. Na fase seguinte, fiz um curso de desenho de observação para aprender, ou tentar entender, técnicas de perspectivas, claro e escuro e teoria das cores. Tudo isso, para compreender melhor os quadros que via nos museus e que tanto admirava. Tempos depois conheci a ilustração botânica, numa exposição num shopping. Foi um “match” instantâneo, do qual não tive como fugir.
Vivemos um tempo de mil telas, uma enxurrada de notícias que impinge um ritmo de urgência ao nosso dia a dia. Parar para observar os detalhes de uma planta e tentar reproduzi-los no papel exige concentração e atenção. É quase um exercício de meditação. É preciso se desligar dos fatos mundanos, esquecer as preocupações por um momento e entender as razões da natureza, o movimento de folhas, pétalas e sépalas. O desenho me permitiu desenvolver outras habilidades, como a observação. Hoje sou muito mais atento às coisas ao meu redor.
Acho que este é o papel do hobby. Nos dar um momento de descanso, de alívio das chatices cotidianas. Os especialistas afirmam que as atividades de lazer ativam outras regiões do cérebro e quando combinadas com trabalhos manuais podem colaborar ainda mais para a nossa saúde mental. Conheço gente que usa o ato de escrever para exorcizar suas angústias. Tem quem toque um instrumento. Há quem faça tricô, costura, trabalhe com jardinagem ou carpintaria para externar seu talento manual.
Não importa se o hobby tem uma utilidade prática ou valor artístico. O que interessa é a satisfação pessoal de quem o exercita, além do estímulo ao cérebro para estabelecer novas conexões. Não custa muito e está à disposição de qualquer pessoa. Para tanto, basta investigar o que você gosta de fazer. Em alguns momentos mesmo o “hobby” pode causar algum desconforto. Já tive vontade de desistir de desenhar certas plantas. Mas a satisfação de superar as dificuldades não tem preço. É parte do processo de auto desenvolvimento.
E você, já pensou em ter um hobby?
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