Sarcopenia, você ainda vai ouvir falar dela

Por muito tempo fui sedentário. Daquele tipo que tem aversão a qualquer tipo de prática esportiva. A correria do trabalho sempre foi a justificativa mais constante para ficar no sofá vendo TV, em vez de fazer alguma coisa. Porém, o tempo cobra por essa inatividade.

O primeiro sinal é a falta de fôlego para uma caminhada mais longa ou qualquer esforço físico. Depois, vêm os resultados de exames periódicos que denunciam alta em índices como colesterol ou glicose no sangue. Ao contrário de muita gente, não tenho problema de sobrepeso e meu homograma quase sempre está dentro da média.

No entanto, isso não significa que eu possa abrir mão da atividade física. E o motivo é simples: com o envelhecimento tendemos a perder massa muscular. É a tal da sarcopenia, um dos maiores problemas para quem envelhece.

As causas da sarcopenia são diversas, segundo os médicos: vida sedentária, queda dos níveis de testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento, infiltração de gordura entre as fibras musculares, perda dos neurônios que conduzem os estímulos aos músculos, resistência à insulina, deficiência de vitamina D e ingestão deficitária de proteína.  A sarcopenia implica numa redução do desempenho físico da pessoa. Isso quer dizer, dificuldade para andar, sentar e se levantar ou manter a postura,

Mas há uma luz no fim do túnel. Os estudos apontam que exercícios com levantamento de pesos e de força contra resistências aumentam significativamente a massa muscular em qualquer idade. É exatamente por isso que, mesmo com o avanço da idade, o idoso ou 60+ precisa incluir em sua rotina alguma atividade física. Essa prática pode ser a garantia para chegar aos 80 anos em boa forma, com autonomia para andar e manter o equilíbrio físico.

Como os hábitos demoram um pouco para se tornarem rotina, o ideal é começar o quanto antes com a atividade física (musculação, caminhada, natação etc). Assim, lá pelos 60 anos você nem vai sentir o peso da “obrigação” de fazer exercícios. Tudo deve ser feito paulatinamente, sem exigir demais do próprio corpo. O ponto de comparação deve ser o seu corpo antes do exercício. Assim, é possível evitar frustrações e perceber o progresso se traduzindo em mais força e maior definição muscular.

Minha mãe tinha um ditado que dizia: “antes pingar, do que secar”. Então, é melhor ir avançando lentamente com os exercícios do que exagerar num dia e se machucar. Uma vez, fiz um desafio de fazer flexões de braço. Na primeira tentativa não consegui mais do que cinco. Uma decepção. Mas eu insisti, com alguma disciplina, e depois de quase um ano cheguei a fazer mais de cem flexões diariamente. Então, negócio é não superar o desânimo.

Hoje em dia há no mercado equipamentos portáteis que facilitam a vida. Para quem não quer ir à academia, as mini bikes podem ser usadas na sala, enquanto se assiste TV. Os halteres podem ser adquiridos de acordo com a sua necessidade. Só é preciso alguma orientação inicial de um personal ou fisioterapeuta para definir os exercícios. Mas é bom não se esquecer que a interação social num ambiente que não é a sua casa, também ajuda a espairecer e a ampliar nossa visão do mundo.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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