60+: Respire fundo para viver melhor

Há quem não acredite que pequenos gestos possam gerar grandes transformações. Assim, qualquer mudança fica dependente de algum fato extraordinário ou de uma guinada radical. Eu sou do time que aposta em uma evolução paulatina. Sou adepto da “teoria do passo do bebê”, do hilário filme “Nosso querido Bob”, de 1991.

Na obra ficcional, um psiquiatra escreve um livro para explicar que a cura dos pacientes tem que começar com um gesto muito simples e ir evoluindo. O personagem de Richard Dreyfuss explica que um bebê não anda de uma hora para outra. Primeiramente a criança senta, depois engatinha, em seguida fica em pé. Só depois dá o primeiro passo, anda e passa a correr.

No filme, a vida do terapeuta vai bem até ele atender o Bob do título. Ninguém menos que Bill Murray. A partir daí uma sucessão de erros e situações inusitadas garantem ótima diversão para quem gosta de humor inteligente e irônico.

Mas voltemos à teoria do “passo do bebê”. Ao incorporamos em nosso cotidiano bons gestos, ainda que pequenos, estamos nos disciplinando, tendo em vista um objetivo maior. Tive a comprovação disso quando comecei a fazer trabalhos em vídeo e não conseguia ler textos muito longos. Achei que tivesse algum problema sério, mas era apenas minha respiração viciada que atrapalhava meu trabalho.

Com a orientação de uma fonoaudióloga incorporei a respiração abdominal (jogando o ar para o abdome na inspiração). Isso mudou totalmente a minha performance no trabalho. Mas a história estava apenas começando. Anos depois comecei a fazer Yoga. Foi então que entendi a importância e a dimensão do ato de respirar.

Aprendi que a respiração superficial, na altura do peito, nos deixa mais cansados, com sono instáveis, além de diminuir a concentração e afetar diretamente nosso estado emocional. No livro “Viva Mais e Melhor”, o professor DeRose explica que o volume pulmonar de um adulto corresponde, em média, a 5,8 litros de ar. Deste volume temos uma capacidade respiratória de cerda de 4,5 a 5 litros. Assim, a cada ciclo respiratório podemos inspirar quase cinco litros de ar e exalar esse mesmo volume. Mas a maioria das pessoas respira ridículos 500 ml de ar.

Oxigênio para viver melhor

“Uma boa oxigenação aumenta a nossa memória e concentração, além de acelerar as sinapses entre os neurônios”, acrescenta DeRose.  E isso depende de uma respiração nasal, profunda e consciente. É comum que em situações de estresse a pessoa respire rapidamente.  Com isso seu cérebro recebe menos oxigênio e suas ações podem não ser as mais adequadas. Frequentemente isso acontece em discussões, quando as pessoas perdem a razão e se deixam levar pelo calor das emoções. Mudar o padrão de respiração pode evitar esse problema e, inclusive, ajudar em momentos de ansiedade.

Segundo o professor DeRose, alterar o ritmo e a profundidade da respiração pode mudar as emoções imediatas, fazendo o seu gerenciamento de uma forma mais satisfatória. Isso significa que a respiração precisa ser lenta e profunda, usando o abdome, a caixa torácica e o peito.

Existem diversos exercícios que promovem uma boa respiração. O Yoga oferece algumas práticas, mas não são as únicas. Cabe a cada fazer o primeiro movimento, de acordo com seu ritmo, como na “teoria do passo do bebê”. Se você ainda respira de maneira superficial, pense em adotar um outro padrão. Respirar bem nos ajuda a lidar com situações estressantes do dia a dia. É mais uma ferramenta para chegar aos 60+ com disposição e fé na vida.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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