Queijo sem nome, família com sobrenome!

Há queijos que nascem para o mercado. E há queijos que nascem para a vida.

O queijo de hoje não é comercial, não é de grande volume, não é de grandes feitos. Ele é simples. E exatamente por isso, é único!

É um queijo feito com amor!!!

Um amor que não se mede em rótulos ou em prateleiras famosas, mas em presença. Ele está sempre ali, na geladeira, como quem nunca falta. Aparece no café da manhã, acompanha o almoço, entra no jantar e, quando a fome bate à tarde, é lembrado de novo, cortado em pedaços, partilhado sem cerimônia.

Não é perfeito na aparência! Não precisa ser!

É perfeito porque serve para tudo: para ralar, para comer cru, para derreter quente, para repousar numa fatia de pão. Ele se adapta, acolhe, se transforma conforme o momento — como quem entende que estar junto é mais importante do que ser impecável.

É um queijo de leite cru, com aroma e sabor da terra. Mas, acima de tudo, tem gosto de família

Tem aquela elasticidade bonita, aquela tenacidade que não arrebenta fácil. Um fio que estica, estica, estica… E quem o produz talvez nem perceba que essa mesma característica vive nela. Porque ela também cria fios invisíveis. Ela liga pessoas. Constrói elos. Mantém a família unida com a mesma firmeza delicada com que esse queijo se estende sem romper.

Esse é um queijo que acolhe.

Assim como ela, quem faz!

Ele pode ser servido em qualquer horário, em qualquer refeição. Não exige ocasião especial. Ele é a própria ocasião. E ela também é assim: sempre sorrindo, sempre oferecendo, sempre abrindo espaço. Onde há esse queijo, há mais do que alimento. Há família. Há sentido. Há permanência.

O queijo que conto hoje talvez não tenha uma história famosa.

Mas a dona… ah, ela tem.

Uma história que mora no simples, no cotidiano, naquilo que muitas vezes passa despercebido. Uma história que só pode ser contada comparando um alimento a uma pessoa capaz de unir todos ao redor de si, com amorosidade, simplicidade e um imenso poder de acolher.

Ali, todos são família!

FAMÍLIA – Foto Luciana Matsuguma00

Ou melhor, todos se tornam: veem nela tia, mãe, avó, madrinha. E se alojam. Porque se sentem à vontade. Porque é um ninho. Um lugar gostoso de ficar.

E quem me proporcionou viver tudo isso — e ainda um pouco mais — foi meu amor. Foi ele quem, num gesto simples, me perguntou: “Você está feliz?” Eu respondi quase fria, contida, como quem não encontra palavras à altura do que sente: “Sim, estou feliz.”!

Mas ele não sabe, não sabe o quanto realmente estou, não sabe o quanto sou feliz!

Feliz por viver lugares que acolhem, pessoas que unem, queijos que contam histórias sem precisar dizer nada. Feliz por reconhecer que o amor também mora nas pequenas coisas, nos gestos cotidianos, nos sabores que aquecem e nas perguntas sinceras que nos atravessam.

Talvez um dia eu consiga explicar. Por enquanto, eu sinto.

E isso basta!

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Todo Queijo Tem História!
Todo Queijo

Luciana Shizue Matsuguma é profissional no setor rural e apaixonada pelo mundo dos queijos. Integrante da Comissão organizadora do Prêmio Queijos do Paraná e membro da Guilde Fromage.

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

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