Já pensou sobre a qualidade dos ingredientes do seu prato do dia, ou plat du jour, como dizem os franceses?
Minha relação com os alimentos nunca foi lá grande coisa. Na infância eu comia muito doce. Todo santo dia. Na adolescência virei o “enjoado”. Não comia cebola, alho, pimenta, cebolinha, salsinha ou coentro. Minha mãe, uma mineira que cozinhava maravilhosamente bem, não se importava. Eu que tirasse o que não gostava do meu prato. Já adulto, percebi que deveria mudar e, aos poucos, fui introduzindo novos alimentos ao meu cardápio, além dos temperos. Em 2000 visitei um frigorífico, para fazer uma matéria a respeito da fiscalização sanitária. Saí de lá impressionado e desde então me tornei vegetariano.
A alimentação está ligada a nossas memórias afetivas e culturais. Portanto, cada um de nós pode mudar o seu prato diário, a partir das suas reais necessidades. Como meus pais tiveram diabetes tipo 2, aos 60 anos, resolvi restringir o consumo de açúcar e doces. Era a ajuda que eu podia dar para a genética que não me favorecia.
Por recomendação médica, parei de tomar leite, mas continuo comendo queijo ocasionalmente. A tática para superar a vontade, é não ter em casa nada que possa me prejudicar. Num dia de Halloween até passei vergonha porque as crianças do condomínio passaram em casa e não tinha sequer uma bala. A cara de decepção de uma das meninas me cortou o coração. Mas é a vida.
Seja lá qual for a dieta que se adote (carnívora, vegetariana, mediterrânea, crudívora) há uma unanimidade entre os especialistas: os alimentos ultraprocessados devem ser banidos. Do macarrão instantâneo aos pratos e molhos prontos, tudo está temperado por um “zilhão” de produtos químicos que a gente nem sabe o que é. Há algum tempo passei a me informar a respeito de alimentação por meio do boletim informativo “Tá na mesa”, do Instituto de Defesa de Consumidores (idec.org.br). Recebo semanalmente as notícias e fui me aprendendo a ler os rótulos do que eu consumo.
E você, lê os rótulos?
A indústria alimentícia faz de tudo para diminuir seus custos e aumentar seus lucros. Muitos “sorvetes” são uma mistura de gordura vegetal, açúcar e sabor artificial; o suco só tem 5% de fruta; o molho é farto em químicos com nomes indecifráveis. A última notícia absurda que eu vi foi uma ação de consumidores movida contra uma marca de um bolinho vendido para crianças. O tal bolinho é rico em química e a marca foi obrigada a retirar os anúncios que o apresentavam como produto saudável.
Essa marca não é a única. Em 2021 uma famosa indústria, com sede na Suíça, admitiu que a maior parte do seu catálogo de alimentos e bebidas não é saudável, já que mais de 60% dos produtos da empresa não atendem aos padrões necessários. A informação fez parte de uma apresentação interna da empresa, à qual o jornal “Financial Times” teve acesso. Num trecho eles dizem: “algumas de nossas categorias e produtos nunca serão saudáveis, não importa o quanto renovamos”.
Um estudo recente de pesquisadores da USP e Fundação Oswaldo Cruz, baseado em dados alimentares de oito países, inclusive o Brasil, indica que a cada 10% de aumento do consumo de alimentos ultraprocessados na dieta, aumenta o risco de morte prematura em 3%. Segundo a pesquisa, conforme a quantidade de ultraprocessados na dieta em cada país, as mortes precoces que podem ser atribuídas a esses alimentos variam de 4% a 14%.
Mas o que são os ultraprocessados?
Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas a partir de substâncias derivadas de alimentos e aditivos alimentares cosméticos, com pouco ou nenhum alimento in natura. Eles são normalmente ricos em sódio, gordura e açúcar. Os estudos apontam que o consumo desses alimentos está ligado ao risco de 32 doenças, principalmente as crônicas não transmissíveis, entre as quais doenças digestivas, diabetes, obesidade e problemas de saúde mental.
Por isso, é tão importante a população se informar e seguir as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira que tem como regra, priorizar os alimentos in natura e minimamente processados, evitando os ultraprocessados.
Um bom começo para manter sua saúde é ler os rótulos do que você está comendo, além de dispensar aquele salgadinho e o refrigerante quando você se sentar diante da TV. Opte pela pipoca (a natural, não a de micro-ondas) e um suco natural que você mesmo pode fazer.
E você, qual seu plat du jour?
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