Idoso ou Nolt ?

Já está circulando por aí um termo para se referir a uma nova abordagem do envelhecimento. Modismo, ou não, o NOLT (New Older Living Trend ou tendência de um novo estilo de envelhecimento) deve ser entendido muito além de um estrangeirismo que se integra ao nosso cotidiano. Trata-se de uma tendência que, aos poucos, vai sendo confirmada.

NOLT se refere a um grupo de pessoas que abandonaram as antigas limitações impostas aos idosos ao longo do tempo. É o 60+ que continua vivendo com propósito, com vontade de evoluir, aprendendo novas tecnologias.  É a pessoa que, na maturidade, resolve abrir um novo negócio,  encara uma segunda graduação ou faz um curso de aperfeiçoamento. Alguns podem até mudar de profissão.

O conceito não se restringe à formação profissional. O Nolt dedica mais atenção a sua saúde, à mente e às emoções. Isso leva em conta o fato de que a idade média no país avançou e muita gente vai viver até os 80 ou 90 anos. As pessoas querem chegar inteiras  e gozando de boa capacidade mental quando a velhice chegar de vez.

Saúde mental deixa de parecer “mimimi” e assume um papel de destaque no desenvolvimento do indivíduo. Afinal, o idoso ou nolt vai precisar de uma rede de apoio quando suas habilidades físicas não forem as mesmas de quando ele tinha 40 anos.

O Nolt não espera mais a vida passar. Ele vive, viaja, encontra amigos, faz trabalho voluntário. Os anos não são vistos como um peso, mas como bagagem. Chamar alguém de Nolt é afirmar que nessa fase da vida o indivíduo  escreve novos capítulos da sua vida, talvez os mais interessantes.

Pessoas com 60 anos ou mais que não aceitam ser empurradas para fora da vida pública e social prematuramente são Nolts. Além disso, há uma forte lucidez sobre o tempo, já que, diferente de tentar simular juventude eterna, o traço distintivo desse grupo é a consciência do limite, combinada com a coragem de continuar escolhendo ativamente seus caminhos.

Luis Mafle, psicólogo, professor de Psicologia e Doutor em Psicologia pela PUC Minas e Universidade de Genebra, explica que o conceito Nolt traz à tona importantes temas da psicologia, já que debate a heterogeneidade do envelhecimento.

Nem todo mundo envelhece da mesma forma. Há o processo normal em que a pessoa apresenta um declínio gradual de algumas funções como memória e força física, mas com autonomia e capacidade de adaptação. Em seguida está o envelhecimento ótimo com alta qualidade de vida e manutenção do engajamento social.

O envelhecimento pode ainda ser limitado, marcado por perdas significativas, doenças crônicas, restrições funcionais no dia a dia e isolamento social. E por fim, o envelhecimento terminal, fase em que o foco deixa de ser o desenvolvimento ou desempenho e passa a ser o cuidado, elaboração emocional, fechamento de ciclos e sentido de finitude.

O psicólogo lembra que muitas pessoas acham que só cuidar da saúde vai prevenir todo o adoecimento. ”E não é bem assim. Existem fatores genéticos que trazem propensões para doenças, maior fragilidade ou maior resistência em alguns pontos”, explica Mafle. Há ainda o fator psicológico, a maneira como a pessoa e enfrentou ou enfrenta certas situações ao longo da vida. “O envelhecimento bem sucedido não é a ausência de perdas, mas a capacidade de reorganização subjetiva diante das perdas que, invariavelmente, vão ocorrer. Cada um vai lidar com esse processo de uma maneira diferente”, afirma o psicólogo. Por isso é bom ir cuidando da saúde (mental  e física) seja você um idoso, velho ou Nolt.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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