Você e eu estamos envelhecendo, mas não somos os únicos. As projeções do IBGE, baseadas no Censo Demográfico de 2022, mostram que de 2000 a 2023, a proporção de idosos (60 anos ou mais) na população brasileira quase duplicou, subindo de 8,7% para 15,6%. Em 2070, cerca de 37,8% dos habitantes do país serão idosos.
A esperança de vida ao nascer subiu de 71,1 anos em 2000, para 76,4 anos em 2023, e deve chegar aos 83,9 anos em 2070. A idade média da população era de 28,3 anos em 2000, subiu para 35,5 anos em 2023 e deve chegar aos 48,4 anos em 2070. Esta nova realidade impõe desafios para os governos, criando políticas públicas para prestar assistência e dar apoio aos idosos. Mas também para cada um de nós que precisa assumir a responsabilidade de pavimentar seu caminho rumo à velhice.
O legado dos genes
Voltando ao livro “O legado dos Genes”, de Mayana Zatz e Martha San Juan França, há muito mais que uma predestinação ou uma determinação genética para envelhecermos bem. As autoras afirmam, a partir da observação de casos de idosos saudáveis, que o tipo de alimentação, o nível de atividade física, o tabagismo, o acesso a serviços de saúde, o ambiente, a educação e as experiências emocionais contribuem para “ligar” ou “desligar” genes, ou seja, para torná-los ativos ou conservá-los adormecidos.
Um bom exemplo de como hábitos podem ajudar no envelhecimento veio do cardiologista Adib Jatene. Ele foi entrevistado pelas autoras do livro já que aos 85 anos, mantinha-se ativo escrevendo artigos sobre medicina. Ele disse que não gastava tempo com raiva, estresse ou amargura. Sua receita de saúde era: cuidar do corpo por meio de medidas rotineiras como manter o peso, não fumar, controlar a pressão e o estresse. Em seguida, se ocupar de coisas que lhe traziam realização, significado e benefícios para a alma. Dicas de ouro que muita gente deixa de lado.
Os médicos já decretaram que a atividade cerebral deve ser estimulada para que, na velhice, continuemos saudáveis mentalmente. Hoje em dia já existem iniciativas dirigidas ao estímulo da capacidade mental dos idosos (o tal cérebro ativo). Tenho uma amiga que começou a escrever depois dos 60 anos. Foi fazer um curso e até publicou um livro. Ela frequenta uma escola de “ginástica” para o cérebro, que estimula a memória, o raciocínio, a atenção e a qualidade de vida.
Minha professora de ilustração botânica é outro ponto fora da curva. Com mais de 80 anos e uma capacidade técnica extraordinária desenvolvida ao longo dos anos, ela é totalmente independente, circula entre jovens e outros interessados pelo desenho.
Nesses dois casos houve um empenho em buscar uma atividade para manter o cérebro ativo. Acredito muito na importância das atividades intelectuais e “hobbies” para manter a saúde mental. Pode ser carpintaria, mecânica, desenho, leitura, bordado ou música. O que interessa é desenvolver habilidades e conexões.
Seu cérebro ativo
Os neurologistas hoje falam do conceito da “plasticidade neuronal”. Até alguns anos atrás acreditava-se que o número de neurônios do cérebro fosse fixo desde o nascimento do indivíduo e que, quando lesado um neurônio perderia suas funções. Segundo o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, hoje já se sabe que dispomos de células-tronco no cérebro que produzem neurônios no decorrer da vida e que o cérebro é um órgão dinâmico, capaz de se adaptar aos estímulos, criando outros circuitos e permitindo o desenvolvimento de novas habilidades. Esse fenômeno de adaptação é a tal “plasticidade neuronal” à qual se atribui a capacidade de recuperação de algumas funções cerebrais perdidas.
A atividade mental pode não evitar futuras demências na velhice, mas certamente retarda o seu aparecimento. Ler, estudar e aprender coisas novas pode ser uma receita para manter o bom funcionamento do cérebro. Já está provado que quanto mais uma pessoa interage com o ambiente e com as pessoas, mais capaz se torna de criar novas conexões entre os neurônios e desenvolver a memória, a linguagem, a criatividade e a atenção. Taí uma boa dica da ciência para nos tornarmos idosos saudáveis.
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