Continuando a criação de um bar do zero ao brinde, depois da ideia (capítulo 1) e da burocracia (capítulo 2), chegamos à fase mais visceral de todas: a execução da obra. É aqui que o sonho sai do papel, levanta poeira, consome caixa — e começa a ganhar identidade.
Obra é, antes de tudo, gestão de tempo, prazo e dinheiro. No Floreria, pela primeira vez em 17 anos, optei por trabalhar com um escritório de arquitetura. A parceria com o escritório do André Henning foi essencial para discutir materiais, layout de mesas e, principalmente, a parte funcional: áreas de funcionários, refeitório, escritório, banheiros, lavagem, câmara fria, estoques, atendimento e cozinha. Tudo aquilo que o cliente não vê, mas sem o que o negócio não funciona.
A obra começa pelo invisível: hidráulica, esgoto e elétrica. É caro, demora e dá a sensação de que nada acontece. Você gasta e não vê resultado — tudo está enterrado ou dentro das paredes. Com pouca carência de aluguel, definimos dois meses de obra, o que nos obrigou a tocar tudo em paralelo: execução, compras de mobiliário, luminárias e equipamentos.
E aí entra um ponto-chave: o cardápio. Toda escolha de equipamento e layout depende do que você vai servir. Foi nesse momento que eu e a Tati chamamos amigos para um jantar aqui em casa. Abrimos um papel A3 na mesa, algumas garrafas de vinho e passamos a noite inteira debatendo experiências gastronômicas vividas pelo mundo. Entre histórias, rabiscos e ideias, o cardápio do Floreria começou a nascer ali.
Muita gente me pergunta: precisa ter arquiteto? Se você conhece profundamente o seu negócio, não é obrigatório, mas trocar com quem entende de obra ajuda muito. Vale contratar um empreiteiro que cuide de tudo? Facilita, mas encarece. Estar presente do começo ao fim costuma abrir oportunidades reais de redução de custo. Dá pra tocar obra e operação juntos? Dá, mas exige organização e decisões rápidas.
Pra mim, o maior ganho de estar 100% envolvido é o vínculo. Faço um paralelo com a gestação: quem constrói do zero passa por dores, decisões e inseguranças que criam amor e pertencimento. Quem recebe tudo pronto também é dono — mas esse amor leva mais tempo pra nascer.
Obra cansa, ensina e define quem você é. E isso o cliente sente. Vale acompanhar os próximos capítulos.
Acompanhe o projeto Do zero ao brinde e como o Zé está criando um novo bar aqui no Comer e Curtir. Leia outras colunas do Seu Zé aqui.
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