Envelhecimento saudável vai além da ausência de doenças

Envelhecer não é uma tarefa muito fácil. É uma caminhada, inevitável, que exige o enfrentamento de limitações, a perda de algumas habilidades, mas também a oportunidade de se ter uma existência mais autêntica, mais identificada com nossos valores, já que muitas das preocupações da juventude perdem o sentido com a maturidade.

Como a população mundial envelhece a passos largos, o bem estar na velhice entrou na pauta de discussões. A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem até uma diretriz que define o envelhecimento saudável como o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional do indivíduo, permitindo-lhe o bem-estar na terceira idade. Isso inclui chegar à maturidade com as habilidades que lhe permitam atender às suas necessidades básicas: aprender; crescer e tomar decisões; ser móvel; construir e manter relacionamentos, além de contribuir para a sociedade.

Uma velhice saudável exige também manter as capacidades que compreendem as habilidades mentais e físicas que uma pessoa pode utilizar, incluindo andar, pensar, ver, ouvir e lembrar.

Para a OMS, uma grande proporção (aproximadamente 75%) da diversidade de capacidades e circunstâncias observadas na terceira idade resulta do impacto cumulativo de vantagens e desvantagens ao longo da vida das pessoas. Além disso, nós sofremos a influência do ambiente onde vivemos,  da família em que nascemos, da nossa etnia, do nível de escolaridade e dos recursos financeiros que dispomos.

O envelhecimento saudável é o foco do trabalho da OMS sobre envelhecimento entre 2015 e 2030 e substitui o foco anterior da Organização, o envelhecimento ativo. Ambos os conceitos enfatizam a necessidade de ação em múltiplos setores e de capacitar as pessoas idosas para que elas continuem sendo um recurso para suas famílias e comunidades.

A OMS ainda ressalta que envelhecer com saúde significa “criar ambientes e oportunidades que permitam às pessoas ser e fazer o que valorizam ao longo da vida”. Para a Organização, estar livre de doenças ou enfermidades não é um requisito para um envelhecimento saudável, uma vez que muitos idosos têm uma ou mais condições de saúde que, quando bem controladas, têm pouca influência no seu bem-estar. Cuidado, atenção e controle são fundamentais.

Daí a importância de iniciativas -individuais ou governamentais- que contribuam para a construção de uma existência saudável para o idoso. Recentemente o governo do Paraná, por meio da Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi) e a Universidade Federal do Paraná formalizaram um acordo de cooperação técnica para desenvolver ações conjuntas voltadas à promoção do envelhecimento populacional. O foco é a promoção do bem estar, da autonomia e da qualidade de vida da população idosa.

Essa parceria prevê a integração de esforços acadêmicos, técnicos e administrativos em frentes múltiplas para promover a educação permanente em temas relacionados ao envelhecimento. Além disso, a iniciativa pretende desenvolver estudos, diagnósticos, projetos de extensão e programas complementares sobre o tema, além de criar novas metodologias de acompanhamento e avaliação das políticas voltadas à pessoa idosa. Desta forma, será possível ampliar a capacidade do Estado de planear ações baseadas em evidências. Agora, é esperar que essa e outras parcerias comecem a ser colocadas em prática. Aguardemos as novidades.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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