Há algum tempo Dráuzio Varella é das vozes mais sensatas quando se fala de saúde no país. O médico, especialista em infectologia e oncologia, tem tido papel importante na divulgação dos avanços da medicina e presta um grande serviço ao informar a população a respeito de problemas de saúde presentes em nosso cotidiano. O dr. Dráuzio percorre com naturalidade os diversos meios de comunicação disponíveis como TV e Internet para chamar a atenção da opinião pública para questões relevantes. Foi justamente por isso que resolvi assistir ao documentário “A Vida é uma Maratona: os novos limites da longevidade”.
A produção está disponível no Youtube (https://drauziovarella.uol.com.br/a-vida-e-uma-maratona/) e mostra a trajetória de Dráuzio Varella, fazendo uma analogia de sua vida com a corrida da maratona, esporte que ele pratica desde 1993. O documentário (dirigido por Jeff Peixoto, Michel Souza e Thais Roque; com roteiro de Jeff Peixoto e Paula Padilha) começa na infância humilde vivida no Brás, em São Paulo, passa pela morte da mãe e sua entrada no curso de Medicina e segue até ele chegar quase aos 80 anos.
É interessante observar como Dráuzio Varella foi desenvolvendo sua carreira, incluindo uma experiência como professor e criador de um curso pré-vestibular em São Paulo, o Objetivo, que fez sucesso na capital paulista. Mas é sua atuação como médico e o interesse pela saúde pública, exercida com humanismo e ética, que salta aos olhos.
Dráuzio Varella nunca se furtou de se envolver com questões complexas. Nos anos 80 ele foi dos primeiros a defender que o governo brasileiro acelerasse a liberação de medicamentos já usados em outros países para tratar a Aids. O médico também criticava a designação da doença como “câncer gay”, pois entendia que o vírus não estava restrito a uma só opção sexual. Além disso, por anos prestou assistência médica aos presos do complexo do Carandiru, sobretudo fazendo campanhas de prevenção contra a Aids. Além da experiência pessoal e profissional, o trabalho rendeu um livro e um filme.
Voltando ao título do documentário, Dráuzio Varella correu sua primeira maratona já com 50 anos. O desafio foi grande, pois não é qualquer um que tem fôlego e pernas para correr 42 km. Desde então ele já completou 25 maratonas. Em 2022 conquistou a mandala das seis majors, as mais icônicas corridas do mundo, aos 79 anos. Assim como nas corridas, ao longo da vida Dráuzio Varella enfrenta os desafios de peito aberto.
Além de um vigor físico invejável para um octogenário, o dr. Drauzio mantém-se ativo na profissão, com uma lucidez admirável. Ele não poupou críticas ao governo, na época da pandemia da Covid 19, ao defender que as decisões sobre saúde pública seguissem recomendações científicas, em vez de orientações políticas. Como não poderia deixar de ser, ganhou admiradores e muitos inimigos.
É de modelos assim que precisamos. O Brasil tem inúmeras personalidades inspiradoras, muitas delas 60+. É gente como o pianista João Carlos Martins, o cientista Miguel Nicolelis, a astrônoma Duilia de Mello;, o físico Marcelo Gleiser e Drauzio Varela. São eles os verdadeiros agentes que podem transformar nossa sociedade. Além do documentário, não deixem de visitar o Portal Drauzio Varella (drauziovarella.uol.com.br) quando quiserem informação confiável a respeito de saúde.
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