5 razões para celebrar a ação histórica de São Francisco contra os ultraprocessados!

Ultraprocessados: a ação que pode mudar tudo

Uma notícia animadora chegou dos Estados Unidos neste dezembro de 2025! O procurador municipal de São Francisco, David Chiu, anunciou uma ação judicial inédita contra as 10 maiores fabricantes de alimentos ultraprocessados do país. E sabe o que isso significa? Estamos testemunhando um momento histórico na luta pela saúde pública!

A ação processa gigantes como Coca-Cola, PepsiCo, Kraft Heinz, Nestlé USA, General Mills, Mondelez International, Post Holdings, Kellogg, Mars Incorporated e ConAgra Brands. Sim, aquelas mesmas empresas que dominam as prateleiras dos supermercados do mundo inteiro! Que briga gigante contra os ultraprocessados!

Aqui, na coluna Sem Glúten & Alimentação Saudável do Comer e Curtir, a gente celebra cada passo que aproxima as pessoas da comida de verdade. E essa ação é exatamente isso: um convite coletivo para acordar, escolher melhor e cuidar da saúde com mais consciência e alegria 💛. Vamos começar entendendo o que são os ultraprocessados.

O que são ultraprocessados?

O procurador foi direto ao ponto: ultraprocessados são produtos que deixam as pessoas doentes, não são encontrados na natureza e são criados através da combinação de substâncias químicas artificiais com processos industriais.

Não estamos falando apenas de junk food óbvio. Muitos produtos parecem inofensivos e são vendidos como “saudáveis”: barrinhas de cereal industrializadas, iogurtes proteicos, snacks fit, refrigerantes zero… Se tem uma lista enorme de ingredientes químicos, é ultraprocessado!

Classificação NOVA: a revolução brasileira na nutrição

Aqui vem um motivo de orgulho: a ação judicial utiliza como base a classificação NOVA, criada no Brasil pela Universidade de São Paulo (USP), pelo professor Carlos Monteiro. Essa classificação revolucionou o campo da nutrição mundial!

A grande inovação da NOVA é classificar os alimentos pelo grau de processamento, e não por calorias ou macronutrientes. Assim ficou mais fácil entender por que um pão caseiro (farinha, água e sal) é completamente diferente de um pão industrial (farinha, água, sal, açúcar, óleo vegetal, emulsificantes, conservantes, fosfato monocálcico, cloreto de amônio, ácido ascórbico e acidulante). Este último é ultraprocessado!

E o impacto dessa classificação é tão grande que em novembro de 2025, a revista The Lancet publicou uma série completa de três artigos sobre ultraprocessados e saúde humana, consolidando décadas de pesquisa e confirmando que essa abordagem transformou nossa compreensão sobre alimentação e doenças crônicas.

Componentes químicos que deixam nosso corpo confuso

O procurador explicou que os riscos à saúde não se limitam a calorias, gordura ou sal, mas envolvem os componentes químicos que contêm, a forma como são combinados e os processos industriais usados na fabricação. Alguns exemplos de componentes químicos encontrados nesses produtos:

– Emulsificantes (mono e diglicerídeos);
– Conservantes artificiais;
– Fosfato monocálcico;
– Cloreto de amônio;
– Ácido ascórbico sintético;
– Acidulantes;
– Corantes artificiais;
– Adoçantes sintéticos;
– Realçadores de sabor;
– Agentes gelificantes.

O problema é que a indústria corrompeu a matriz original dos alimentos. O resultado? Nosso corpo não reconhece esses produtos como comida de verdade! Este é o grande problema de consumir ultraprocessados.

Alimentos viciantes: não é falha, é característica

Uma das denúncias mais graves do procurador: a indústria criou milhares de substâncias que o corpo metaboliza de maneira diferente, e esses produtos são projetados para serem viciantes – a dependência é uma característica, não uma falha.

Imagine só: os ultraprocessados representam 70% de toda a oferta de alimentos nos Estados Unidos! Praticamente não existe quem consiga evitá-los completamente. E o mais assustador? As empresas sabiam dos danos que causavam desde 1999, mas escolheram ignorar os alertas.

Crise de saúde pública global

Uma revisão sistemática abrangente publicada em 2025 na série The Lancet, que analisou 104 estudos de longo prazo, revelou que 92 deles reportaram maiores riscos associados a uma ou mais doenças crônicas. As meta-análises mostraram associações significativas para 12 condições de saúde, incluindo diabetes tipo 2, esteatose hepática, doenças cardíacas, doenças renais, câncer colorretal, doença de Crohn, depressão e obesidade.

Os custos de saúde dispararam. À medida que o consumo desses produtos ultraprocessados aumentou, também aumentaram as doenças crônicas. Em São Francisco, o diabetes foi uma das principais causas de morte entre 2017 e 2021, com taxas de hospitalização muito mais altas em comunidades de baixa renda. A Organização Mundial da Saúde reconhece que doenças crônicas relacionadas à dieta representam aproximadamente 59% de todas as mortes globais.

O impacto devastador nas crianças

Pesquisas mostram que esses alimentos ultraprocessados representam quase 70% das calorias consumidas na dieta das crianças nos Estados Unidos. O resultado? Níveis inéditos de obesidade e diabetes tipo 2 em crianças – uma doença que simplesmente não existia nessa faixa etária antes da invenção dos “alimentos” ultraprocessados!

As empresas utilizaram as mesmas táticas da indústria do tabaco: mascotes de desenho animado (Tony, o Tigre, Fred Flintstone, Patrulha Canina), parcerias com fabricantes de brinquedos e empresas de mídia infantil, direcionando campanhas especialmente para comunidades de baixa renda.

A solução está na comida de verdade

A boa notícia? Você pode se proteger! A solução é voltar a comer comida de verdade: alimentos sem glúten processados industrialmente, sem lactose artificial e sem açúcar adicionado. Como explica Rita Lobo do Panelinha (confira a matéria completa aqui): quem sabe cozinhar consegue fazer melhores escolhas. Mas hoje isso não basta. É preciso ler rótulos!

A regra de ouro: Se tem algo na lista de ingredientes que não existe na natureza, não compre! Agora, vamos de uma receita saudável, sem glúten e deliciosa!

Receita saudável: barrinha de cereal caseira

Barrinhas de cereal caseiras com aveia, cranberries e sementes sobre tábua de madeira, mostrando ingredientes naturais como alternativa saudável aos ultraprocessados
Barrinha de Cereal Caseira Saudável sem Ultraprocessados

Que tal substituir as barrinhas industrializadas por uma versão caseira, saudável, sem glúten e deliciosa? Veja como é fácil!

Ingredientes:
– 2 xícaras de aveia em flocos (sem glúten certificada)
– 1/2 xícara de mel puro
– 1/2 xícara de pasta de amendoim natural (só amendoim)
– 1/4 xícara de coco ralado sem açúcar
– 1/4 xícara de sementes de girassol
– 1/4 xícara de cranberries secas sem açúcar
– 1 colher de chá de essência de baunilha
– Pitada de sal marinho

Modo de Preparo:

1. Pré-aqueça o forno a 180°C e forre uma forma retangular (20x30cm) com papel manteiga.

2. Em uma panela em fogo médio, aqueça o mel e a pasta de amendoim, mexendo até ficar homogêneo (cerca de 2 minutos).

3. Desligue o fogo e adicione a essência de baunilha e o sal. Misture bem.

4. Em uma tigela grande, misture a aveia, o coco ralado, as sementes de girassol e as cranberries.

5. Despeje a mistura líquida sobre os ingredientes secos e mexa muito bem até incorporar completamente.

6. Transfira a mistura para a forma preparada e pressione firmemente com as costas de uma colher ou espátula até ficar bem compacta.

7. Leve ao forno por 25-30 minutos, até dourar levemente nas bordas.

8. Retire do forno e deixe esfriar completamente na forma (pelo menos 2 horas) antes de cortar em barrinhas.

9. Corte em 12 barrinhas retangulares com uma faca bem afiada.

10. Armazene em recipiente hermético por até 1 semana, ou congele por até 3 meses.

Dica especial: Para versão sem glúten, certifique-se de usar aveia certificada sem glúten. Para versão sem lactose, já está perfeita! Para versão sem açúcar, substitua o mel por pasta de tâmaras.

O discurso completo do procurador

Para ler a íntegra traduzida do anúncio histórico de David Chiu, acesse este link do Panelinha!

Por que essa ação é tão importante

São Francisco tem histórico de sucesso em ações de saúde pública. Em 1998, ganhou US$ 539 milhões em acordo com empresas de tabaco. Em 2017, após 19 anos de batalha judicial, recebeu US$ 21 milhões de fabricantes de tinta com chumbo.

Agora, a cidade busca responsabilizar as empresas de ultraprocessados pelos enormes custos de saúde pública causados por seus produtos. É um marco que pode inspirar outras cidades e países ao redor do mundo!

Conclusão: os ventos estão mudando

Esta ação sinaliza que os ventos estão mudando. Mas não podemos esperar de braços cruzados! Enquanto o sistema alimentar não muda, precisamos fazer escolhas conscientes todos os dias.

Lembre-se: alimentação não é assunto de dona de casa, é da casa toda. Homens, mulheres e adolescentes precisam se envolver. Com planejamento, conhecimento e receitas saudáveis como essa barrinha de cereal caseira, podemos proteger nossa saúde e a de nossas famílias!

Vamos juntos nessa jornada pela comida de verdade! 🌱✨

Créditos: Matéria baseada no conteúdo de Rita Lobo (Panelinha) e na tradução do discurso do Procurador David Chiu.

Fotos: Freepik

Referências:

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BAKER, P. et al. Towards unified global action on ultra-processed foods: understanding commercial determinants, countering corporate power, and mobilising a public health response. The Lancet, v. 406, n. 10520, p. 2703-2726, 2025.

LANE, M. M. et al. Ultra-processed food exposure and adverse health outcomes: umbrella review of epidemiological meta-analyses. The BMJ, v. 384, e077310, 2024.

MONTEIRO, C. A. et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutrition, v. 22, n. 5, p. 936-941, 2019.

MONTEIRO, C. A. et al. The UN Decade of Nutrition, the NOVA food classification and the trouble with ultra-processing. Public Health Nutrition, v. 21, n. 5, p. 5-17, 2018.

PAGLIAI, G. et al. Consumption of ultra-processed foods and health status: a systematic review and meta-analysis. British Journal of Nutrition, v. 125, n. 3, p. 308-318, 2021.

SROUR, B. et al. Ultra-processed food intake and risk of cardiovascular disease: prospective cohort study. The BMJ, v. 365, l1451, 2019.

FIOLET, T. et al. Consumption of ultra-processed foods and cancer risk: results from NutriNet-Santé prospective cohort. The BMJ, v. 360, k322, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1136/bmj.k322. Acesso em: 22 dez. 2025.

LOBO, R. Comida de verdade: princípios para uma alimentação saudável. São Paulo: Panelinha, 2022.

WORLD HEALTH ORGANIZATION; FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases: report of a joint WHO/FAO expert consultation. Geneva: WHO, 2003. (WHO Technical Report Series, 916).

CITY ATTORNEY OF SAN FRANCISCO. City of San Francisco v. Ultra-Processed Food Conglomerates for Violation of California’s Unfair Competition Law and Public Nuisance. San Francisco Superior Court, 2 dez. 2025.

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