Consumo racional e educação financeira são fundamentais na aposentadoria

Lidar com as finanças quando se é ativo economicamente é difícil, mas não impossível. Aumenta-se o tempo dedicado ao trabalho para ampliar a renda e atingir um objetivo. Porém, após os 60 anos, as coisas mudam. As alternativas reduzem drasticamente. As pesquisas revelam que oito em cada dez brasileiros não têm o hábito de fazer reservas para a velhice (ou a aposentadoria).

Isso implica em situação de dificuldade para a maioria da população. Vivemos num país difícil. A maioria dos brasileiros tem que matar uma família de leões por dia para sobreviver. Mas, é preciso ser realista, os 60+ quase sempre significam uma redução dos ganhos e mais despesas e exigem, no mínimo, controle de gastos.

Uma recente pesquisa do Sebrae revelou que o número de empreendedores com mais de 60 anos aumentou em 34%, de 2020 a 2025. O cruel nesse dado é que muitos desses novos “empresários” estão tentando complementar a renda, já que a aposentadoria é insuficiente para sua sobrevivência. Obviamente, entre eles há quem resolveu realizar o sonho de criar seu próprio negócio, mas parece ser uma minoria.

“Empreendedores” e aposentadoria

Outro dado alarmante vem da Serasa que concentra o nome de pessoas endividadas com instituições financeiras. Nos últimos cinco anos, o número de 60+ inadimplentes aumentou 43,16%. Isso se deve devido à falta de um planejamento financeiro mínimo ou em decorrência de algum problema, de saúde ou não, que levou ao endividamento. Todos nós estamos sujeitos a imprevistos, mas precisamos pensar no futuro. Não teremos 40 anos e força de trabalho para sempre. Por isso, é necessário um esforço para nos educar financeiramente. Isso pode significar um consumo mais consciente e viver conforme nossos rendimentos.

Contra a onda e o falatório de muita gente, não acredito que a felicidade esteja em ter o carro do ano, os óculos usados pelas stars no Festival de Cinema de Veneza ou seja lá o que for. Às vezes precisamos mudar nosso padrão para conseguir tranquilidade financeira. Tenho um casal de amigos que vivia numa amplo apartamento no Juvevê, em Curitiba. Os filhos se casaram e os dois ficaram sozinhos, tentando se manter num imóvel que dava muito trabalho. Depois de muita conversa, eles se mudaram para um apartamento menor, num bairro vizinho, e a vida ficou bem mais fácil.

Um outro, botou tudo na ponta do lápis e viu que o carrão que ele tinha comprado era um luxo para quem iria se aposentar dali a alguns anos. Vendeu, quando o automóvel ainda mantinha boa parte do seu valor e investiu em uma loja que hoje lhe rende um aluguel.  Às vezes, o que precisamos é apenas um pouco de desapego.

“Despressurizando os gastos” na aposentadoria

Meu mantra é que os 60+ são construídos ao longo da vida. Eles começam aos 30 ou 40 anos com o estabelecimento de objetivos reais, sejam eles profissionais, pessoais ou financeiros. Isso requer alguma disciplina e medidas práticas. Uma situação recorrente que observo é que há muitos casos de idosos que, mesmo aposentados, continuam a ajudar filhos e netos. Se isso não exige nenhum sacrifício, está ótimo.

No entanto, se um idoso deixa de investir na manutenção da sua casa, no pagamento do serviço de diarista ou em qualquer outro serviço que lhe é necessário, tem algo errado. O erro está na relação entre o idoso e seus familiares. Sigo a orientação que me dão quando entro num vôo: “em caso de despressurização, máscaras de oxigênio cairão automaticamente. Coloque a máscara no seu rosto e só depois ajude crianças ou pessoas com dificuldade”. Isso vale para a vida. Ninguém deveria se prejudicar para ajudar os outros.

E você, está se preparando para a aposentadoria? 

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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