Aqui mais uma reflexão da coluna Viver Melhor 60+.
Os avanços da ciência e a melhoria das condições gerais de vida, apontam para um sensível aumento da expectativa de vida do brasileiro. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), uma criança nascida no Brasil em 2025 poderá viver, em média, até os 76,8 anos.
Obviamente esse indicador não é uniforme para todo mundo. É apenas uma expectativa que está sujeita a outros fatores como gênero, classe social e até o lugar onde a pessoa vive. De qualquer forma, se pensarmos que em 2000 essa expectativa era de 69,8 anos, estamos evoluindo.
O Brasil, aos poucos, está se descolando daquela imagem de um país de jovens, já que a taxa de fecundidade- o número de filhos por mulher – está em queda. Em 2025 a expectativa chegou a 1,53 filhos por mulher, contra 2,32 em 2000, segundo o IBGE. Em breve os “idosos” serão a maioria da população no Brasil, assim como já acontece em outros países.
Criança, uma raridade
Sempre me lembro da história de uma afilhada da minha mãe, filha de portugueses naturalizados brasileiros, que se tornou uma atração numa vila nas terras de Camões. Os pais da menina viajaram para Portugal para que a filha conhecesse os familiares que ficaram do outro lado do Atlântico. Chegando à vila onde a família residia, notaram que não havia uma só criança no lugar.
A notícia de que uma menina, filha de portugueses, estava por lá correu rapidamente entre os moradores. Não demorou para a casa ser alvo de uma verdadeira Via Sacra. Todos queriam ver de perto a menina que encantava por ser a única criança a ter passado pela vila nos últimos anos. Não sei se chegaremos a esse ponto, mas os números indicam que estamos nessa direção.
Idosos e moradia
Como o envelhecimento é inevitável é preciso planejar como enfrentaremos esta situação. E isso vai muito além das decisões individuais. Você pode cuidar da sua saúde, fazer exercícios (físicos e mentais), mas se não houver uma infraestrutura que contemple os mais velhos, fica difícil envelhecer bem. E isso vai desde uma legislação sobre as calçadas das cidades, até serviços de saúde.
No Paraná algumas boas iniciativas estão sendo colocadas em prática. Até o ano que vem o Estado deve finalizar a construção de 35 condomínios de idosos. Nessas moradias, os idosos pagam um aluguel no valor correspondente a 15% de um salário mínimo. O programa Viver Mais Paraná é destinado a casais ou idosos sozinhos, a partir de 60 anos, com renda de até seis salários mínimos. A prioridade de atendimento é a população com menor poder aquisitivo. Cada condomínio tem 40 moradias, com espaços de uso comum (horta, praças e salões) para atendimentos na área de saúde e assistência social, além de áreas de lazer e convivência. Fiquei curioso para conhecer a realidade desses condomínios.
Outro programa interessante é o Casa Fácil Paraná Terceira idade. Paranaenses com mais de 60 anos, com renda comprovada de até quatro salários mínimos mensais que não possuem imóvel, poderão usar o valor de R$ 80 mil como entrada na aquisição de uma moradia. Com isso o beneficiário consegue reduzir o prazo total de pagamento do imóvel, principal impedimento no processo de financiamento habitacional.
Para participar do programa, o candidato não pode ter feito adesão a qualquer outro programa habitacional e precisa ter crédito aprovado na Caixa Econômica Federal, dentro do programa Minha Casa Minha Vida. Iniciativas como essas precisam ser apoiadas para que se consolidem como uma política pública que beneficie os idosos, independente de quem está no governo.

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