Em busca da velhice saudável
A velhice é um processo inevitável. Como chegar bem a esse período da vida é o nosso grande desafio. Chamar o velho de idoso, não resolve a situação. Mas a ciência já vem dando alguns passos para driblar o declínio físico e mental do ser humano. As pesquisas sobre DNA estão avançando. Talvez cheguemos a um tempo em que seja possível evitar algumas doenças generativas com a manipulação dos genes. Mas é bom também observar nossos idosos (pais, mães e tios) pra ver o que deu certo e corrigir os erros.
Perdi minha mãe há pouco mais de um mês e no último ano eu a acompanhei de perto, em casa ou nos hospitais em virtude de internações recorrentes. Ao conviver com o declínio físico e mental de quem amamos é natural pensarmos na nossa impotência diante de algumas fatalidades.
No tempo que passei com minha mãe tentei entender as decisões que ela tomou ao longo da vida, para não perder tempo com discussões que não mudariam a situação. Minha mãe viveu muito bem até os 85 anos. Teve uma vida irretocável. Ela se casou com o homem por quem foi apaixonada desde sempre, meu pai. Foi amada e admirada por ele. Criou os filhos e viu seus netos crescerem. Ela só cometeu um erro: dedicou-se mais aos outros do que a si mesmo. Era assim que as mulheres da geração dela eram educadas.
Minha mãe adquiriu Diabetes tipo 2 já com 60 anos. Mas ela nunca levou à risca as recomendações a respeito de alimentação para controlar a doença. Ela se manteve ativa por muito tempo, até fraturar o fêmur o que limitou sua locomoção. Ainda assim, minha mãe era uma otimista inabalável. Nunca vi alguém enfrentar os problemas com tanta positividade. Sempre que lhe perguntava como estava, ouvia um sonoro “estou ótima”. Não ouvir mais essa frase me causa muita saudade. Mas, segue a vida.
Aprendi com minha mãe a ser otimista e, ao contrário dela, resolvi me cuidar mais. Costumo ler a respeito do envelhecimento porque acho que a informação nos salva de muitos perrengues. Em tudo que já li, uma observação unânime dos especialistas é que doenças crônicas (diabetes, hipertensão, obesidade) se agravam e têm consequências sérias na terceira idade se não são monitoradas. Porém, há exemplos de pessoas que, mesmo com essas enfermidades, chegam à velhice com tranquilidade. Para isso, mudaram seus hábitos.
O livro “O legado dos genes- O que a ciência pode nos ensinar sobre o envelhecimento” (Editora Objetiva) nos dá algumas dicas para superarmos os 80 anos. A obra é um trabalho da bióloga e geneticista Mayana Zats e da jornalista Martha San Juan França, especialista em ciências. O livro parte do estudo de um grupo de pessoas que passaram dos 80 anos, mantendo sua saúde mental e física.
Foram analisados fatores genéticos, histórico-culturais, sociais e emocionais que contribuíram para que essas pessoas se tornassem octogenários saudáveis. O grupo inclui desde alguns artistas e intelectuais renomados, até gente anônima.
As autoras mostram o que a pesquisa científica já descobriu a respeito do envelhecimento e como a ciência pode ajudar a prever ou a prevenir problemas futuros. Mais do que isso, elas indicam como outros aspectos, além do DNA, são importantes para uma velhice saudável.
Cada capítulo do livro merece atenção especial. Vou apenas comentar alguns pontos. A alimentação tem uma forte influência sobre a nossa saúde. Privilegiar uma dieta composta por carne de peixe, vegetais, grãos integrais, iogurte e azeite de oliva tem um efeito preventivo sobre o diabetes e doenças do envelhecimento em geral, como a degeneração macular que causa problemas de visão. Evitar os multiprocessados é fundamental. Não dá pra falar mais de dieta, mas sim de bons hábitos alimentares. Manter a atividade mental também é necessário.
A psicóloga Lisa Feldman, autora do livro How Emotions Are Made, afirma que se a pessoa evita consistentemente o desconforto mental ou físico, essa restrição pode ser prejudicial para o cérebro. Precisamos sempre de novos desafios. Ficar desanimado e isolado, além de acelerar o envelhecimento, leva a esquecimentos e transtornos cognitivos relacionados à memória.
Problemas de audição ou visão podem agravar o isolamento do idoso. Por isso, olhos e ouvidos precisam ser tratados ao longo da vida. O ideal é que mantenhamos alguma vida social com a família e/ou amigos.
Por último, e não menos importante, a atividade física é crucial para manter a musculatura do corpo. O objetivo não é mais ter a barriga trincada, mas fortalecer as pernas e a região pélvica, para que possamos andar e fazer xixi. Entenda atividade física qualquer exercício – musculação, caminhada, yoga, pilates – por por uma hora, umas três vezes por semana.
Ficar vendo TV, jogar baralho ou ler no sofá, podem ajudar sua cabeça, mas não colaboram com seu corpo quando substituem exercício físico. Para sermos velhinhos legais e saudáveis, precisamos vencer a preguiça na meia idade e fazer da atividade física uma atividade como escovar os dentes ou beber água. Saiba que se você não bebe água na quantidade recomendada pelos médicos, está acelerando o processo de envelhecimento.
Leia mais sobre vida 60+ e velhice saudável aqui.





