Não seja pato!

NÃO SEJA PATO!

Em tempos de hype, parece que todo mundo quer abrir um bar-café-lavanderia-floricultura com brunch – listening bar-hamburgueria-kombucha-boteco raiz. Mas calma lá. Quem quer fazer de tudo, acaba não fazendo nada direito.

No mundo dos bares, negócios e da vida urbana em Curitiba, foco é ouro. Já viu um lugar que serve pizza, hambúrguer, sushi e feijoada? Provavelmente você só foi uma vez.

Nos últimos anos a segmentação vem aumentando e Curitiba está cheia de exemplos bons: casas que escolheram um nicho e se tornaram referência. Pode ser o boteco raiz que só serve carne de onça e petiscos de boteco, o bar de drinks autorais no Centro ou o café que virou point de quem trabalha remoto no Juvevê. O segredo está em entender seu público, escolher um caminho e ir fundo nele.

O maior problema de querer abraçar o mundo é que tudo vira ruído, parece uma TV antiga fora de sintonia: a comunicação de marketing perde foco, o estoque encarece, a equipe se enrola. Equipamentos demais, ingredientes variados, cozinha confusa, música sem identidade. Comprar vira um pesadelo, treinar é um sufocо, е sobra desperdício. No fim, ninguém entende o que o lugar quer ser.

E vale o alerta: muitas vezes, o sinal de que o negócio está indo mal é quando o dono perde a mão е começa a tentar de tudo. A diversificação forçada é sintoma grave – e o prognóstico costuma ser a falência. Foco, clareza e coragem pra dizer “isso eu não faço” são virtudes de quem quer durar.

Conselho do Zé dos Bares: o pato voa, o pato nada e o pato mergulha. Mas não faz nada disso bem. Não seja Pato! Foco é o novo hype. Vale refletir. Já viu algum bar que virou clássico tentando ser tudo?

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SEU ZÉ
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José de Araújo Neto é curitibano, empresário do setor gastronômico. Criador e gestor de diversas marcas, já abriu mais de 120 bares e restaurantes pelo Brasil (próprios e franquias). 

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

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