Tem uma coisa que o empresário da gastronomia moderna precisa aprender — e rápido: lidar com crítica pública. Críticas e críticos.
Se antes a reclamação vinha no ouvido, no balcão ou, no máximo, num e-mail mais atravessado, hoje ela vem escancarada. Está no Google, no TripAdvisor, no Instagram, nos perfis de gente que se apresenta como crítico gastronômico. E não vem sussurrada — vem amplificada.
E ouvir… nunca foi fácil.
Ouvir, de verdade, já é desconfortável por natureza. Agora imagina quando isso envolve algo que você construiu, que você vive, que você respira todos os dias. Parece pessoal. E muitas vezes a gente reage como se fosse.
Mas com o tempo — e alguns tombos — eu aprendi a tentar seguir um caminho menos emocional.
Primeiro: eu parto do princípio de que ninguém reclama à toa. Pode até exagerar, pode até distorcer, mas alguma coisa motivou aquela insatisfação. E aí mora a oportunidade. A raiz do problema quase sempre ensina mais do que o elogio.
Num segundo momento, eu tento entender o como. Não só o porquê da crítica, mas o porquê da forma. Porque, sejamos honestos, o que mais irrita não é a crítica — é a intenção que a gente enxerga por trás dela.
Tem gente que quer resolver.
Tem gente que quer ser ouvida.
E tem gente que quer devolver a frustração.
É aquele pensamento silencioso: “se eu me senti prejudicado, não vou sair no prejuízo sozinho”. E aí a crítica vira quase uma compensação emocional. Um ajuste de contas.
É aí que muitos empresários se perdem. Não pela crítica em si, mas pela sensação de injustiça.
Mas existe um ponto que pouca gente fala: visibilidade.
No mundo de hoje, onde um conteúdo dura segundos, onde tudo é rápido e descartável, ser falado — bem ou mal — ainda é ser lembrado. E isso, no fim das contas, tem um peso.
Eu já passei por situações que, na época, pareceram o fim. Exposição negativa, julgamento público, aquela sensação de “acabou”. E não acabou.
Cresceu.
Cresceu em movimento, cresceu em faturamento, cresceu em relevância. E não foi só comigo. Já vi isso acontecer com outros colegas. Alguns, inclusive, desesperados no olho do furacão. E eu sempre disse a mesma coisa:
Calma.
Depois da tempestade, vem o crescimento.
Porque, no fim, por mais barulho que os haters façam, eles são minoria. O que sustenta qualquer negócio são os lovers. E, felizmente, eles sempre são mais.
Então talvez o ponto não seja evitar a crítica — porque isso é impossível. O ponto é o que você faz com ela.
Ignora? Aprende? Rebate? Absorve?
Cada situação pede uma coisa. Mas uma coisa é certa: dá pra transformar.
A crítica é parte do jogo. Sempre foi, só mudou de palco.
E já que o limão vem — e vem azedo — o melhor que a gente faz é aprender a fazer uma boa limonada.
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