Há 17 anos, quando o bar Quermesse abriu suas portas em 2009, o mundo era outro — mas a essência que nascia ali já carregava algo atemporal. Em um país onde tudo muda rápido, o Quermesse escolheu um caminho mais raro: o de fincar raízes. Raízes de boteco, daqueles de verdade, onde a mesa é de madeira, o copo sua, a conversa corre solta e a vida acontece sem pressa. Desde o começo, não era só um bar — era um pedaço vivo da cultura brasileira.
De lá pra cá, o mundo virou de cabeça pra baixo. Veio crise econômica, vieram mudanças políticas, veio a revolução digital, vieram novas gerações, novos hábitos, novas formas de viver e de consumir. E veio também a pandemia, que fechou portas, silenciou balcões e deixou vazios muitos dos lugares que antes eram cheios de vida. Mas o Quermesse ficou. Resistiu. Se adaptou. E, mais do que isso, manteve sua alma intacta.
Porque o Quermesse nunca foi sobre seguir tendência — sempre foi sobre preservar essência. É boteco raiz. É cozinha brasileira sem atalhos. É cozinha regional, é ingrediente brasileiro, é identidade no prato. É torresmo que estala, pastel que chega fumegando, caldinho que abraça. É comida que não precisa de explicação — só de apetite.
E, claro, é cerveja de garrafa na mesa. Daquelas que chegam suando, divididas entre amigos, sempre acompanhadas de conversa boa e tempo desacelerado. Porque no Quermesse, o ritual importa. O abrir da garrafa, o tilintar dos copos, o brinde sem motivo — ou com todos os motivos do mundo.
Mas nenhum bar chega aos 17 anos sozinho. O Quermesse é feito de gente. De histórias que passam pelo salão, pela cozinha, pelo balcão. De nomes que viraram memória viva da casa: Maizena, Tianísia, Jo, Edna,Jane, Júlio, Juninho, Júnior, Cezinha, Luciano, Felipe Johnny preto e branco, Braian, Nath, Diego, Dieymi, Juliano, Mateus e tantos outros que vestiram a camisa, carregaram bandeja, puxaram conversa, seguraram a bronca e ajudaram a construir, dia após dia, o que o Quermesse é hoje. Cada um deixou um pedaço de si — e levou um pedaço do bar junto.
E talvez não seja coincidência que o Quermesse complete justamente 17 anos. Porque 17 é idade de intensidade. É quando tudo pulsa mais forte: as certezas e as dúvidas, a coragem e a inquietação. É a fase da descoberta, de experimentar o mundo, de testar limites, de questionar o que está dado e buscar o que ainda nem se sabe explicar.
Ser um bar aos 17 anos é um pouco isso também. Já não é mais iniciante, já sabe quem é — mas ainda carrega fome de viver, de se reinventar, de surpreender. Tem história pra contar, mas ainda tem muita história pra criar. Tem identidade, mas não perdeu a curiosidade. É jovem o suficiente pra se transformar e maduro o bastante pra não perder sua essência.
Manter um negócio assim vivo por 17 anos no Brasil não é só mérito — é resistência. Em um setor onde cerca de 30% das empresas não chegam aos cinco anos, e onde a maioria não atravessa uma década, chegar aos 17 é quase um ato de teimosia apaixonada. É insistir quando tudo diz pra parar. É acreditar quando o cenário desanima. É continuar abrindo as portas, mesmo depois das noites difíceis.
Por isso, celebrar os 17 anos do Quermesse é mais do que marcar uma data. É celebrar!





