Viver Melhor 60+: receita para manter-se bem na velhice

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou recentemente a comercialização do medicamento lecanemabe para o tratamento inicial do Alzheimer. O remédio, administrado por infusão intravenosa, atua diretamente no Sistema Nervoso Central e tem como objetivo desacelerar a evolução da doença. É uma notícia alentadora para quem foi diagnosticado com a doença.

O lecanemabe, vendido como Leqembi, reduz a ocorrência de placas de beta-amiloide no cérebro, retardando o declínio cognitivo em pacientes. O remédio não trata sintomas como perda de memória, desorientação, mudanças na personalidade e no comportamento, mas pode adiar a progressão da doença.

O acúmulo das proteínas beta-amiloide é considerado o principal fator envolvido na doença de Alzheimer, sendo o foco dos tratamentos mais modernos.  As pesquisas tentam reduzir essas placas no cérebro que têm papel fundamental no prejuízo das funções cognitivas.

Apesar do avanço, a Anvisa alerta que o tratamento com o Lecanemabe não é indicado para pacientes com sangramento e inchaço por líquido no cérebro.  Também não é recomendado para quem usa remédios anticoagulantes de forma contínua, que afinam o sangue. Outro fator que inibe o entusiasmo com o medicamento é o preço. O custo nos Estados Unidos pode chegar a US$ 50 mil por ano, ou R$ 269 mil.

Justamente pela dificuldade e alto custo do tratamento, há um esforço de diversas instituições para criar políticas públicas focadas na prevenção. No fim de fevereiro a Associação Internacional de Alzheimer realizou uma série de eventos para debater o cenário da doença e como o Alzheimer vem sendo abordado em diversos locais.

O Uruguai foi o país escolhido para sediar um painel para discutir a doença na América Latina. Na ocasião, a pesquisadora argentina Lucia Crivelli, da Fundação Para a Luta Contra Enfermidades Neurológicas da Infância, fez um alerta importante. Segundo ela, enquanto no resto do mundo 45% dos casos de Alzheimer poderiam ser evitados, na América Latina o percentual chega a 56%. Isso acontece porque o foco em prevenção por aqui ainda é insuficiente.

É preciso que as políticas públicas de saúde estimulem a população a mudar de estilo de vida. A prática de uma atividade física, o controle do peso, do colesterol e do nível de açúcar no sangue, bem como evitar o cigarro e o consumo de álcool são as medidas mais indicadas para mitigar os efeitos do Alzheimer, e outros tipos de demência, entre os idosos.

Há ainda outros fatores como a prevenção da depressão, da perda de audição e visão, limitações que diminuem as conexões sociais do idoso. No Brasil calcula-se que haja 2 milhões de pessoas com algum tipo de demência, enquanto na América Latina o total chega a 10 milhões. A perspectiva é que esses números tripliquem até 2050.

Mas nem tudo está perdido. O FINGER (Finnish Geriatric Intervention Study to Prevent Cognitive Impairment and Disability), publicado em 2015 pela médica Miia Kivipelto, na Suécia, provou que uma intervenção multidomínio pode prevenir ou retardar o declínio cognitivo em idosos com risco de demência.

O estudo focou em cinco áreas simultâneas: Nutrição com uma dieta baseada no padrão mediterrâneo/nórdico, (rica em vegetais, frutas, grãos integrais peixes, óleo de oliva) com adaptações à realidade de cada país; Exercício físico combinando musculação, exercícios aeróbicos e treinos de equilíbrio; Treinamento cognitivo com exercícios de estímulo à memória, velocidade de processamento das informações e funções executivas; Monitoramento metabólico e vascular, controle rigoroso da pressão arterial, diabetes, colesterol e índice de massa corporal; Atividade social para combater o isolamento do idoso. A receita está aí e pode ser colocada em prática aos 40, 50, 60 ou 80+.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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