No filme O Último Imperador, de Bernardo Bertolucci, há uma cena que mostra como a abordagem da medicina oriental sempre foi diferente do que, à época, se praticava no Ocidente. Na sequência, o médico observava as fezes do monarca, logo pela manhã, para saber se existia algum problema de saúde. Ele cheirava e avaliava as fezes para dar seu diagnóstico, bem como para mudar o cardápio do imperador.
Por mais excêntrico que possa parecer, a cena mostra o quanto os médicos chineses estavam adiantados. Hoje sabe-se que os intestinos podem ter uma relevância que a medicina ocidental ignorou por anos. Já foi provado que o bom funcionamento dos intestinos é importante não só para manter a saúde do indivíduo, como também para ajudá-lo a envelhecer melhor. Muitos médicos avaliam que o microbioma intestinal (os micróbios que vivem nos intestinos) pode influenciar uma ampla gama de fatores, da saúde mental à probabilidade de desenvolver certos tipos de câncer.
Em uma matéria publicada na Folha de São Paulo, em outubro de 2025, a pesquisadora Karen Corbin, associada do Instituto de Pesquisa Translacional de Metabolismo e Diabetes da AdventHealth, afirmou que se cuidarmos bem de nossos micróbios, eles cuidarão bem de nós. No entanto, quando não alimentamos nosso microbioma adequadamente esses micróbios ficam irritados, degradam a cama de muco do intestino e produzem metabólitos que não são saudáveis. Par uma convivência pacífica com o microbioma, ela recomenda a diminuição do consumo de ultraprocessados e o aumento da ingestão de alimentos ricos em fibras.
Alguns especialistas dizem que o microbioma intestinal deve ser diverso e que isso pode garantir uma vida mais longa e saudável. Há quem afirme ainda que há uma relação entre as bactérias intestinais e a capacidade de um idoso se recuperar de uma doença ou lesão.
Essa abordagem ainda não é conclusiva, já que os estudos a respeito da saúde intestinal estão em andamento. Logo, os médicos poderão afirmar categoricamente se o intestino é mesmo fundamental para garantir a saúde das pessoas, sobretudo a sua influência na saúde dos mais velhos.
Até lá, o melhor a fazer é adotar um estilo de vida saudável, com uma dieta que privilegie os alimentos que ajudam o intestino a funcionar. O ideal é que cada indivíduo consuma cerca de 28 gramas de fibras diariamente. Se está difícil chegar a essa medida, experimente trocar o pão branco pelo integral. Não é uma tarefa impossível, só exige a disposição de mudar hábitos.
Os nutricionistas sugerem outras substituições, como as batatas fritas por pipoca. É que além de mais leve, a pipoca é um grão integral que alimenta as bactérias benéficas do intestino. Mas modere o uso de gordura. Os molhos, como o bolonhesa, podem ganhar o reforço da lentilha ou grão de bico, garantindo mais fibra para seu corpo. E, igualmente importante, é a ingestão de água, em boa quantidade, para ajudar não só o funcionamento do intestino como de todo o corpo. A saúde exige um serviço constante de manutenção.
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