Yoga exercita corpo e mente

 

Num dos primeiros textos que fiz para esta coluna contei que sempre fui sedentário. Iniciei a prática de uma atividade física, com regularidade, apenas a partir dos 50 anos. Fiz umas aulas de Yoga que mudaram minha percepção do que era uma atividade física prazerosa.

Desde então, lá se vão doze anos e alguns ganhos notórios. A prática contribuiu para melhorar minha condição de 60+. Percebo que ganhei flexibilidade, força e equilíbrio físico. Sou um yogin e como tal, sigo um estilo de vida focado no autoconhecimento, controle psicofísico para superar limitações e atingir (um dia) um estado de consciência elevada e harmonia interior.  Para tanto, coloco em prática as orientações sobre respiração e concentração, além de conceitos filosóficos que passei a entender com o estudo do Yoga.

O fato de me identificar com uma prática física, como não tinha ocorrido antes com outras atividades, aconteceu porque o Yoga vai além dos limites do corpo. Encontrei uma linhagem sem qualquer componente místico, o que se adaptou perfeitamente à vida de um ateu ou agnóstico como eu. Além de melhorar a condição física, o Yoga propõe a adoção de conceitos que geram mais qualidade de vida. Assim, aprende-se a controlar impulsos, a não se deixar ser levado pelas emoções, a cultivar a responsabilidade social e a generosidade, entre tantos outros ensinamentos.

Bem longe dos estereótipos, não encaro o Yoga como uma seita e procuro manter meu senso crítico para evitar qualquer tipo de fanatismo. Sei também que o Yoga não é para todo mundo, assim como outras atividades. Tem gente que não consegue aprender inglês, outros são incapazes de andar de bicicleta.

Como o Yoga respeita toda forma de vida, me tornei 100% vegetariano ao me tornar yogin, excluindo qualquer tipo de carne da minha dieta. Ao mesmo tempo, desenvolvi uma relação mais saudável com a alimentação. Passei a priorizar a qualidade dos alimentos.

Também abri mão de toda substância que possa alterar minha consciência, incluindo as drogas lícitas e as ilícitas. Percebi que o meu maior barato é mesmo viajar por meio de exercícios respiratórios, de concentração e meditação. É uma viagem segura, com retorno certo. O indivíduo volta maior e melhor.

Acredito que para o Yoga dar resultado, é necessário acertar  a linhagem mais adequada para sua personalidade ou para o objetivo desejado. É bom saber que o Yoga tem quatro grandes linhagens: o Tantra-Sámkhya (Yoga Pré-Clássico), o Brahmácharya-Sámkhya (Yoga Clássico), o Brahmácharya-Vêdánta (Yoga Medieval) e o Tantra-Vêdánta (Yoga Contemporâneo). Para cada uma delas existe uma fundamentação filosófica e uma fundamentação comportamental. O Sámkhya é naturalista, enquanto o Vêdánta é espiritualista. O Tantra é matriarcal, sensorial e desrepressor e o Brahmacharya é patriarcal, anti-sensorial e repressor.  E ninguém precisa virar monge para adotar a prática, basta querer melhorar verdadeiramente.

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Roberto Junior Monteiro, 63 anos, é jornalista e atua em jornalismo rural. Seus interesses passeiam por áreas diversas: Botânica, Cinema, Yoga, Meditação, Música, Desenho e Línguas. Ultimamente tem se dedicado a refletir sobre os desafios do envelhecimento.E-mail: rjrmonteiro@hotmail.com

* Todo o teor textual e de imagens publicados nesta coluna são responsabilidade deste colunista.

 

 

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