Começamos aqui a nossa coluna no Comer e Curtir, Descomplicando do Marketing. E vamos falar sobre situações que empreendedores enfrentam no dia-a-dia. Como esta aqui: justamente na sua vez… o jogo mudou.
Durante muito tempo, acreditou-se que ter o prato mais saboroso, o ambiente mais acolhedor e uma operação impecável era o suficiente para conquistar clientes. A qualidade era a estrela absoluta da festa. Hoje, continua vital, mas virou coadjuvante de um espetáculo mais complexo.
A jornada do consumidor mudou. E para navegar nesse novo caminho, é preciso entender como chegamos até aqui.
Nada disso surgiu de repente. Em 1999, o livro The Cluetrain Manifesto já lançava uma provocação que muitos trataram como exagero: “Markets are conversations.” A obra defendia que pessoas conectadas trocam opiniões, experiências e percepções entre si, um comportamento que, na época, parecia futurista. Duas décadas depois, vemos essa frase ganhar vida todos os dias dentro das redes sociais, onde essas conversas acontecem em tempo real e em escala massiva. Ali, o antigo marketing centrado apenas no produto perdeu o monopólio da narrativa.
Na gastronomia, a decisão de compra acontece antes mesmo da fome bater, o consumidor já escolheu muito antes de cruzar qualquer porta. A decisão nasce durante o gesto quase automático de deslizar o dedo pela tela, seja em qualquer rede social ou plataforma de pedidos.
Durante anos, a pirâmide de influência parecia simples, jornais, rádios, revistas e, para orçamentos generosos, televisão. Bastavam argumentos diretos, atributos do produto e um toque de criatividade para gerar impacto. No topo, a recomendação de amigos e familiares, aquela chancela emocional que moldava preferências.
Hoje, essa pirâmide se transformou. Entramos no labirinto das redes sociais, que democratizaram o palco: grandes e pequenos estabelecimentos ocupam o mesmo feed. Mas existe um detalhe decisivo nesse reino digital, o trono é guardado por algoritmos temperamentais. Eles mudam regras, exigem dinamismo, desafiam planejamentos longos e nos obrigam a comunicar com agilidade quase orgânica.
No alto dessa nova pirâmide estão os influenciadores, capazes de lotar destinos turísticos com um único vídeo. Cidades discretas viram febre instantânea; lugares lindos, mas pouco “instagramáveis”, perdem fluxo de visitantes. Só que até esse topo é volátil. O universo dos influenciadores se fragmentou, virou ecossistema. Os microinfluenciadores e suas narrativas de nicho crescem, criando conexões mais verdadeiras e conversas mais densas.
Para quem contrata, olhar números já não basta. É preciso avaliar valores, coerência, público real, linguagem e riscos, porque um deslize pode custar caro. É um território tão rico que merece um texto inteiro só para ele.

Esse gráfico traz uma visão macro: é uma leitura de longe, que simplifica o cenário para ajudar a compreender como as pessoas são impactadas em cada etapa.
O resultado de tudo isso é simples de descrever, porém um pouco complicado de executar com precisão, uma guerra pela atenção em meio a uma enxurrada de conteúdo. Mas esse caos não é só ameaça. Ele também abre portas.
Quando percebemos que a disputa não é mais apenas por entregar um bom produto, e sim por gerar conexão, fica claro que o centro da história mudou. Já não é o prato. Nem o serviço. É a pessoa. E a jornada dessa pessoa começa muito antes de ela saber o que quer consumir.
Quando entendemos esse comportamento, o marketing deixa de ser apenas estratégia e vira psicologia aplicada. Com os estímulos certos, criamos vínculos reais. E vínculos reais transformam público em comunidade, cliente em embaixador, consumidor em defensor apaixonado da marca.
Como fazer isso na prática? É aqui que começa a nossa conversa. Nesta coluna, minha missão será simplificar, traduzir e entregar caminhos possíveis. Quero ajudar você a ajustar e fortalecer seu marketing para esses novos tempos de forma clara, aplicável e certeira.
Então nos vemos no próximo texto de Descomplicando o Marketing.
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