2 casos recentes de polêmica no bar, que foram destaque nas redes sociais, trazem à tona comportamentos questionáveis em bares e restaurantes
Imagine você ter ido sozinha/o a um bar, ter escolhido uma mesa e feito seu pedido – e de repente o gerente ou proprietário não pede, mas exige que você mude de mesa, para poder acomodar mais clientes – o que você faria? Será que você pode ser expulso da mesa (ou do restaurante)?
Eu mudaria de mesa sem problemas, mas claro que dependendo da forma como tivesse sido feito o “pedido de mudança” pelo proprietário (grosseria, não!). Mas tem gente que se recusa a trocar de mesa – o que o bar pode fazer neste caso? O cliente pode ser expulso da mesa? E quem está com a razão? Polêmica no bar!
Caso 1 de polêmica no bar: “Eu cheguei primeiro” – cliente se recusa a trocar de mesa
Na semana passada um vídeo no X, de uma mulher que se recusou a trocar de mesa, teve mais de um milhão de visualizações. No vídeo ela conta que foi sozinha a um bar em São Paulo e sentou numa mesa para 4 pessoas. Alguns clientes chegaram depois, e como não havia mais mesas disponíveis, reclamaram com a gerência. O gerente do bar quis que ela trocasse de mesa, mas ela se recusou, afirmando “Eu cheguei primeiro, então a preferência é minha, não vou sair”.
O estabelecimento tem todo direito de pedir para o cliente trocar de lugar, mas não pode de maneira nenhuma exigir ou fazer o cliente ser expulso da mesa, nem fazer ele se sentir mal por continuar ali. O Código de Defesa do Consumir proíbe práticas que colocam o consumidor em situação constrangedora.
Caso 2 de polêmica no bar: “São 16 pessoas, mas só pediram 5 pizzas” – grupo grande faz pedido muito pequeno
Um segundo caso foi destaque recentemente, na Itália. Um grupo de 16 turistas de Taiwan foi a um restaurante e pediu 5 pizzas individuais para consumo do grupo todo. O dono do restaurante se revoltou com a quantidade de comida pedida, que considerou pequena para a quantidade de pessoas no grupo, e postou um vídeo nas redes sociais criticando seus clientes “São 16 pessoas, mas só pediram cinco pizzas e três cervejas. Que absurdo! Isso é demais!”, comentou ele. Aparentemente, além de gravar o vídeo, ele tentou que o grupo fosse expulso da mesa e se retirasse do estabelecimento.
Depois do ocorrido, o proprietário do restaurante se arrependeu, e removeu o vídeo das redes sociais, tendo posteriormente gravado um pedido de desculpas, que já tem quase 900 mil visualizações no Tiktok. Mas os comentários não perdoam “”A pizzaria deveria ser fechada, a falta de respeito foi ofensiva demais” é um dos comentários no vídeo.

O cliente sempre tem razão?
Casos como esse fazem a gente pensar na postura de alguns (ou seriam muitos?) proprietários de bares e restaurantes não só no Brasil, mas mundo afora.
A máxima “O cliente tem sempre razão” não faz sentido, claro. Basta conversar um pouco com algum dono de estabelecimento comercial para escutar as histórias mais absurdas de comportamentos de clientes nos locais – a polêmica no bar acontece dos dois lados.
Mas tratar o cliente mal não faz, nem nunca vai fazer sentido. No fim das contas, é ele quem paga suas contas. Se o cliente não se sente bem em um local, não volta. Não indica para ninguém. E pior, sai falando mal (e posta reclamando em algo e bom som) pra todo mundo ouvir.
Quando um grupo grande entra no restaurante, é claro que a expectativa é de que o consumo seja grande, proporcional ao número de pessoas. Mas não tem como saber – vai que o grupo está vindo de outro bar onde já consumiu, e veio ali apenas para consumir um pouco mais? Ou está com o dinheiro apertado, e resolveu pedir pouco e dividir, para economizar?
Mas não tem vantagem nenhuma postar um vídeo reclamando que os clientes consumiram pouco – a quantidade de haters e comentários negativos que isso pode gerar é gigante, e a dor de cabeça para o proprietário, com essa polêmica no bar, é garantida.
Quando uma pessoa senta sozinha em uma mesa grande, normalmente ela não se importa de mudar de local quando o pedido é feito educadamente. Mas pode ter gente que não aceite a troca mesmo assim, que mesmo com toda a delicadeza do mundo no pedido se sinta sendo expulso da mesa (vai entender!) – aí o jeito é aceitar e seguir em frente.
Moral da história? Seres humanos são complicados – e não tem como ter um bar e não ter jogo de cintura.
Você é dono de bar ou restaurante e chegou até aqui na matéria? Se tiver histórias de casos de clientes que causaram polêmica no bar, sem ter razão, entre com contato comigo – vai que seu causo vira tema da próxima coluna?
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